A CAF (Confederação Africana de Futebol) confirmou neste domingo, 29, o início de uma reformulação profunda em seus estatutos e regulamentos disciplinares. O anúncio feito pelo presidente Patrice Motsepe ocorre em resposta direta ao caos administrativo que se seguiu à final da Copa Africana de Nações com o título sendo retirado de Senegal e entregue ao Marrocos apesar da disputa em campo.

O caso foi parar no CAS (Corte Arbitral do Esporte). Senegal ainda fez questão de exibir o troféu em partida amistosa, se negando a entregar para o Marrocos.

Por que a CAF decidiu alterar as regras disciplinares?

A medida busca restaurar a credibilidade da entidade após o Comitê de Apelação retirar o título conquistado em campo pela seleção de senegal para entregá-lo à seleção de marrocos. A falta de clareza nos artigos 82 e 84 do regulamento gerou interpretações ambíguas que comprometeram a imagem do torneio.

Senegal venceu a final por 1 a 0 na prorrogação, mas sofreu uma derrota por W.O. (3 a 0) meses depois devido a um abandono temporário do gramado em protesto contra a arbitragem. A nova diretriz visa impedir que decisões de bastidores alterem resultados esportivos tanto tempo após o encerramento das competições.

Quais são as principais mudanças propostas pela entidade?

As reformas planejadas pela CAF focam em três pilares fundamentais para garantir a integridade dos jogos e a transparência jurídica:

  • Arbitragem e VAR: Ampliação do investimento em treinamento e remuneração para assegurar imparcialidade e reduzir erros que motivem protestos.
  • Poderes Judiciais: Revisão do Código Disciplinar para que os órgãos jurídicos apliquem sanções claras e imediatas, evitando reviravoltas tardias.
  • Protocolos de Abandono: Refinamento das regras sobre interrupções de partidas para distinguir entre protestos técnicos e abandono definitivo de campo.

Mudanças na gestão e o recurso na Corte Arbitral

Além das regras, a federação enfrenta uma reestruturação administrativa com a renúncia do Secretário-Geral Véron Mosengo-Omba, que será substituído interinamente por Samson Adamu. A saída ocorre em um momento de alta pressão política sobre a gestão da crise na última CAN.

Enquanto a entidade tenta implementar os novos regulamentos, o desfecho da edição de 2025 permanece sob análise externa. A federação da seleção de senegal já acionou a Corte Arbitral do Esporte (CAS) na Suíça para contestar a perda do troféu continental.