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Juba com as medalhas dos títulos que conquistou em sua carreira – Placar/Kaio Lakaio
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Juliana Baptistuta é uma das várias meninas Brasil afora que sonham em brilhar no futebol feminino. Seu caminho vem sendo trilhado de forma promissora. Aos 14 anos de idade, Juba, como é conhecida, é destaque do time feminino sub-15 do São Paulo e já tem currículo os títulos do Paulistão, do Brasileirão, da Libertadores e até do Mundial Interclubes de sua categoria.
A vocação para o esporte foi descoberta nas aulas de educação física de seu colégio, o Marista Arquidiocesano, na zona sul de São Paulo. O suporte dos familiares e dos professores é um trunfo fundamental para a realização dos sonhos da menina, bem como sua polivalência. “Eu jogo como zagueira, lateral e ponta-direita”, contou Juba, ainda tímida, na primeira entrevista de sua vida. “Sou uma jogadora, veloz, inteligente e que gosta de driblar.”
Aos 14 anos, Juba é destaque do sub-15 feminino do São Paulo – Placar/Kaio Lakaio
Um começo desafiador
A história de Juba no futebol começou, ironicamente, quando as quadras e campos estavam fechados. Durante a pandemia de Covid-19, a adolescente lapidou seu talento em treinos à distância, por vídeo. Por vezes, ela foi a única aluna a atender as aulas. “Era na câmera, na varanda da casa dela, você via que de qualquer jeito ela se adaptava para ter a aula”, disse Gabriel Tchakmakian, treinador do Núcleo de Atividades Complementares (NAC) do Colégio Marista Arquidiocesano.
Juba e Gabriel Tchakmakian, treinador da jogadora no Colégio Marista Arquidiocesano – Placar/Kaio Lakaio
Com o retorno dos treinos presenciais, Juba exibiu sua evolução nas quadras do colégio. “Depois que saiu da aula remota, as meninas voltaram, mas tinham de treinar em um quadradinho, onde você não podia ter contato com ninguém. Ela não faltou de treino nenhum”, contou Gabriel.
Quando a vida voltou ao normal, Juba passou pelo processo inevitável de ter que dividir a quadra com muitos meninos. E tirou lições positivas disso. “Foi muito importante começar desde cedo com meninos, porque me ajudou a ganhar força e amadurecer no esporte, a perceber que era o que eu realmente queria”, comentou.
Os treinos solitários e depois com meninos e meninas forjaram uma mentalidade que logo chamou a atenção do São Paulo.
Sonho realizado, novos objetivos
Assim como outros atletas, entrar em um clube de futebol no Brasil nunca é fácil. Juba teve de passar pela peneira no São Paulo em setembro de 2024. Das 400 garotas inscritas, só dez foram aprovadas, ela e mais nove.
Nos treinos da equipe feminina sub-15 no clube social do Morumbi, Juba passou a viver o ritmo de atleta, com treinos de segunda a sexta. Diante de uma rotina acelerada, o apoio da família e do colégio foi essencial. “É muito importante a família participar desse processo”, ressalta Ana Baptistuta, mãe de Juba, que foi atleta universitária e chegou a sonhar com uma carreira profissional. “Hoje a Juba tem acesso a uma estrutura incrível, que eu não tive na minha época”, relembra Ana.
Ana e Juba agradecem o colégio por ajudar a conciliar a rotina de atleta e estudante. “Sempre quando eu perdia alguma coisa, o Arqui me ajudava, trocando horário de provas ou me passando atividades complementares”, afirma Juba. “O Arqui hoje é fundamental pra Juba se desenvolver como estudante, como ser humano e como atleta”, complementa Ana.
Juba e Ana Bapstituta, mãe de Juba, na quadra – Placar/Kaio Lakaio
Hoje, Juba tem sua mãe como referência e se inspira em atletas como Bia Zaneratto, do Palmeiras, e Van Dijk, do Liverpool, para seguir sua carreira. Com o destaque nas categorias de base do futebol feminino, a jogadora se permite sonhar além, quando questionada como gostaria de ser ver um dia na capa da revista PLACAR. “Um sonho seria conquistar uma Copa do Mundo profissionalmente, estudar fora ou, principalmente, inspirar outras garotas com a minha história”, afirma Juba.