A Austrália concedeu asilo a cinco jogadoras da seleção feminina do Irã, que estavam no país para disputar a Copa da Ásia feminina de 2026. A decisão foi confirmada pelo governo australiano após as atletas pedirem proteção internacional por temerem perseguição no retornarem ao Irã, em meio à guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e a crescente repressão interna no país.

As jogadoras receberam vistos humanitários após uma operação sigilosa que contou com apoio de autoridades australianas e forças policiais locais. De acordo com o governo, as atletas foram levadas para um local seguro enquanto suas situações migratórias eram analisadas. A medida foi tomada após dias de pressão internacional e negociações diplomáticas.

Protesto silencioso e acusações de “traição”

A crise começou ainda durante a Copa da Ásia feminina, disputada na Austrália. Antes da partida contra a Coreia do Sul, jogadoras da seleção iraniana se recusaram a cantar o hino nacional, em um gesto interpretado como protesto contra o regime de Teerã. O episódio ocorreu poucos dias após o início da escalada militar entre o Irã e forças lideradas por Estados Unidos e Israel, o que aumentou o clima de tensão política ao redor da equipe.

Após o gesto, veículos ligados ao governo iraniano passaram a acusar as atletas de “traidoras em tempos de guerra”, expressão usada para caracterizar quem desafia o regime durante conflitos. Em alguns casos, esse tipo de acusação pode resultar em prisão ou punições severas dentro do país, o que elevou os temores de represália contra as jogadoras e suas famílias.

Diante do risco, parte da delegação buscou ajuda de autoridades australianas. Cinco atletas decidiram solicitar formalmente proteção internacional e receberam apoio imediato do governo local e de organizações de direitos humanos.

Iranianos marcam presença para torcer pela seleção feminina - STR / AFP