A Copa do Mundo de 2026 terminou com o bicampeonato da Espanha, mas o colecionismo em volta das figurinhas continua. E não apenas das figurinhas. Álvaro Vacca resiste à curiosidade e guarda intacto um envelope de álbuns lançados pela empresa italiana Panini ao longo dos anos. 

O hábito começou por acaso, lá em 2012, e hoje são mais de 2300 envelopes, organizados minuciosamente em pastas personalizadas e longe do alcance da tentação de abri-los. A organização acompanha décadas e décadas de história do futebol, mas também das artes gráficas e da cultura pop.

“Se souber a figurinha que tem dentro, acabou o envelope. A minha figurinha é um envelope fechado de cada álbum. E aí vou atrás das variações. Só não cometo absurdos, mas falo com gente do mundo inteiro atrás de um pacotinho que ainda não tenha na minha coleção”, conta Vacca, em sua casa, em São Caetano do Sul, em São Paulo.

As variações dos pacotinhos — sejam os de Copa do Mundo, Eurocopa, demais campeonatos importantes ou mesmo os dedicados a um único clube — se dão, em geral, por patrocinadores do torneio e ações de distribuidoras em diferentes países. No Brasil, os envelopes da última Copa eram encontrados com a frase “contêm figuritas”, “contêm cromos” e “contêm stickers”. Já os códigos de barra nos EUA, por exemplo, são posicionados na frente e não no verso como habitual por aqui.

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Álvaro Vacca, colecionardor de pacotinhos de figurinhas - Kaio Lakaio/PLACAR

Segundo o livro O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas, de Marcelo Duarte, da Panda Book, o hábito de colecionar figurinhas vem do início dos anos de 1900. No Brasil, as figurinhas caíram no gosto popular com estampas dos sabonetes Eucalol, em 1925. Daí em diante, tiveram Balas Futebol, Balas Sportmans, até maços de cigarro e embalagens de chiclete. A própria PLACAR lançou álbuns de figurinhas em 56 anos de história. 

A italiana Panini já produzia álbuns de Copa desde 1970, mas desembarcou no Brasil em 1989 em uma parceria com a editora Abril. Vacca tem os envelopes das coleções mais antigas e fala com amor da história de cada um deles. 

Envelope raro

O empenho por garimpar na internet e em cartas foi contemplado ao perceber que um envelope da Euro de 1996 havia passado fora do radar de colecionadores mundialmente renomados. Em 2019, cinco modelos de envelopes da competição sediada na Inglaterra e vencida pela Alemanha eram conhecidos. 

“Foi quando me deparei na internet com um envelope promocional, da Coca Cola, distribuído na Turquia. Ninguém conhecia esse envelope e, na hora, fiquei até em choque ao ver aquilo. Trouxe para a minha coleção. Sei que até 2024, eu era considerada a única pessoa que tinha esse envelope guardado. Hoje, pelo que se sabe, nove pessoas possuem um envelope desse modelo”, diz Vacca.

Sai Panini, entra Topps

A Fifa anunciou em maio que fechou uma parceria com a norte-americana Fanatics, por meio da divisão Topps, para produzir os álbuns a partir de 2031. Apesar da relevância dos álbuns de Copa, a saída da Panini o entristece, mas ver a construção da história em sua sala o deixa feliz.

“O padrão deixa a coleção bem agradável. Sem a Panini a partir da Copa do Mundo de 2031, não sei se vou ficar atrás dos envelopes que me faltam para essa coleção. O meu sonho é completar a sequência”, conclui. 

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