O futebol feminino tem uma transformação histórica iniciada pela FIFA em 2024, ampliando o direito à maternidade das jogadoras. Ser mãe deixou de ser um motivo de aposentadoria precoce ou insegurança financeira para as atletas de elite em todo o mundo.

Quais são os novos direitos garantidos pela FIFA?

As mudanças aprovadas no Congresso de Bangkok em 2024 estabeleceram padrões mínimos globais que protegem não apenas jogadoras, mas também treinadoras. O foco principal foi garantir que o vínculo familiar não prejudique a estabilidade contratual ou o desenvolvimento esportivo das profissionais.

  • Licença-maternidade — 14 semanas: Período mínimo de afastamento remunerado, sendo obrigatório que pelo menos oito semanas ocorram após o nascimento do bebê.
  • Licença-adoção — 8 semanas: Direito estendido a atletas que adotam crianças menores de dois anos, com períodos remunerados escalonados conforme a idade da criança.
  • Licença familiar — 8 semanas: Introdução da licença remunerada para parceiros que não são a mãe biológica, promovendo a equidade no suporte doméstico.
  • Flexibilidade de registro — imediata: Possibilidade de os clubes contratarem e registrarem substitutas para atletas grávidas ou em licença fora das janelas de transferência.

Como as mudanças afetam a seleção brasileira e os clubes?

Seleção feminina de futebol. Foto: Lívia Villas Boas/CBF

No Brasil, clubes que lideram o investimento na modalidade, como o Corinthians e o Palmeiras, adaptaram suas infraestruturas para atender às novas exigências. A presença de espaços para amamentação e o suporte logístico para filhos em viagens tornaram-se diferenciais competitivos na retenção de talentos.

Para a seleção brasileira feminina, a nova regra permite que atletas experientes mantenham o nível de performance para competições internacionais. A segurança jurídica de que o retorno aos gramados é garantido fortalece o planejamento de carreira das jogadoras, que agora podem planejar a família sem interromper o auge técnico.

Qual o impacto na infraestrutura e no futuro da modalidade?

Além das licenças, a FIFA passou a exigir que os clubes ofereçam condições físicas para que as mães possam amamentar ou extrair leite durante a jornada de trabalho. Essa medida visa reduzir o desgaste físico e emocional das atletas no retorno aos treinamentos de alta intensidade.

Especialistas apontam que essas garantias financeiras e estruturais elevam o patamar do futebol feminino, tornando-o uma carreira mais sustentável a longo prazo. O impacto em 2026 é visível no aumento do número de mães atuando em ligas profissionais, provando que a biologia e o esporte de alto rendimento podem coexistir com o respaldo institucional adequado.