Os três pênaltis perdidos por Carlos Vinicius, do Grêmio, no duelo contra o Palestino-CHI, pela Copa Sul-Americana, fizeram lembrar Martín Palermo, atacante argentino que também errou três penalidades na Copa América de 1999, contra a Colômbia. Em 1975, no entanto, uma famosa personalidade do futebol brasileiro foi além: Nelsinho Baptista, então lateral do São Paulo falhou quatro penalidades contra do Corinthians. O mais incrível: todas as bolas explodiram no travessão.
Nelsinho, que recentemente anunciou a aposentadoria como técnico aos 75 anos, concedeu entrevista à PLACAR de maio, que estará disponível a partir da próxima semana, e relembrou o episódio dos quatro pênaltis perdidos. O caso ocorreu na decisão da primeira edição da Copa São Paulo Intercontinental, torneio que reuniu além dos rivais paulistas o San Lorenzo-ARG e o Peñarol-URU, no Morumbi.
O mais curioso, e que explica a estratégia de Nelsinho (então conhecido apenas como Nelson), é que o goleiro do Corinthians, Sérgio Valentim, era, até dias antes, seu colega de Tricolor.
“Ele vira e me fala assim: ‘eu pego todos os pênaltis seus, eu sei onde você bate’. Eu batia sempre no chão e pensei ‘vou bater por cima que esse filho da p… não vai pegar’” Você vê que foram todas em cima”, divertiu-se Nelsinho, em entrevista à PLACAR. A cada erro, o árbitro Romualdo Arppi Filho mandou voltar a cobrança, alegando que o goleiro corintiano havia se adiantado. “Mas chegou uma hora que o Romualdo disse: ‘Nelson, chega.’”, relembrou Nelsinho.
Após empate em 2 a 2 no tempo normal, o Corinthians se sagrou campeão do torneio na decisão por pênaltis, ao vencer por 4 a 3, depois de seis penalidades desperdiçadas por ambas as equipes. Romualdo também mandou voltar cobranças do Corinthians pelo mesmo motivo.
Como atleta, Nelsinho atuou por Ponte, São Paulo, Santos e Juventus-SP e foi campeão paulista pelo Tricolor (1975) e pelo Peixe (1978). Como treinador, teve sucesso por diversos grandes clubes. Foi o técnico do Corinthians na conquista do primeiro título brasileiro em 1990.
Pelo São Paulo, ganhou o Paulista de 1998 e ficou marcado três anos depois por chamar três atletas (Carlos Miguel, Rogério Pinheiro e Gustavo Nery) de “laranjas podres”, por supostamente estarem contaminando o vestiário.
“Não me arrependo disso, até porque agi com honestidade, visando o melhor, e por isso tive o respaldo da diretoria. Alguns atletas se sentiam donos do clube e não queriam perder a mordomia. Nunca tive medo, porque quando você tem argumentos e sabe o que é melhor para o time — não para um jogador só —, você enfrenta”, sustenta.
A entrevista completa com Nelsinho estará disponível na edição 1535, de maio de 2026












