O abandono dos velhos craques, ‘patrimônio nacional e imorrível’
Velha guarda da bola nunca assimilou a pendurada de chuteiras. O futebol era nossa vida e, sem apoio psicológico, acabamos nos deprimindo

“Patrimônio nacional e imorrível”. A definição, certeira, veio de gente simples, na porta de um boteco, provavelmente em São João de Meriti, onde meu compadre Marco Antônio passa as horas jogando carteado, fumando e bebendo conhaque. Recebi uma imagem pelo zap e me lembrei dos tempos em que me drogava descontroladamente. Marco Antônio há dois anos teve um AVC e recuperou-se totalmente. Treina um time de pelada em São João e é meio indomável, apesar de introvertido, caladão. O certo seria se internar e falei com o meu irmão, Fred, para ver que tipo de ajuda a AGAP (Associação de Garantia ao Atleta Profissional) poderia oferecer. Deve receber uma pensão da CBF, mas o problema de muitos jogadores, principalmente os de minha época, vai muito além do dinheiro. É carência, abandono, apoio psicológico.
Nossa relação com o futebol e com a torcida era colossal, profunda e, acima de tudo, verdadeira.…
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