Principal nome do futebol na luta contra o racismo, Vini Jr. comentou sobre os insultos ocorridos no amistoso entre Espanha e Egito, em Barcelona, na última terça-feira, 31. Na ocasião, os torcedores espanhóis ofenderam os egípcios com cantos de “quem não pula é muçulmano”. Lamine Yamal, estrela do Barça, que é filho de marroquino e muçulmano, disse que se sentiu desrespeitado com os gritos.

Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira, 6, Vini relembrou o caso e convidou Yamal para seguir combatendo o racismo. “É um assunto muito complicado de se falar, mas que acontece muitas vezes. Espero que possamos continuar nessa luta, importante também que Lamine fale. Isso pode ajudar os demais”, disse.

Vini ainda ressaltou a importância de pessoas que conquistaram visibilidade com o esporte de se posicionarem, como ele e Yamal. O brasileiro ainda falou sobre a necessidade de eles serem a voz de diferentes pessoas.

“Nós somos famosos, temos dinheiro, podemos equilibrar melhor essas coisas, mas os pobres e os negros, que estão em todos lados, seguramente enfrentam mais dificuldades do que nós. Então precisamos estar juntos, as pessoas que têm muita força, os jogadores. […] E se continuarmos nessa luta juntos, acredito que num futuro os jogadores mais novos e todas as pessoas deixem de passar por isso também”, comentou.

O Real Madrid volta a campo nesta terça-feira, 7, às 16h (de Brasília), contra o Bayern de Munique, em duelo válido pela ida das quartas de final da Champions League.

O que Yamal disse

Lamine Yamal, o principal jogador da seleção espanhola, se posicionou contra os cânticos islamofóbicos dos espanhóis no amistoso contra o Egito. Antes da bola rolar em Cornellà, no estádio do Espanyol, a torcida espanhola vaiou o hino egípcio e minutos após o apito inicial vieram os cânticos de “quem não pula é muçulmano” em provocação aos visitantes.

Em uma postagem em seu Instagram, publicada na manhã desta quarta-feira, o jogador condenou o momento em que a torcida da casa entoou “quem não pula é muçulmano”. Yamal segue a religião muçulmana e começou a sua mensagem com “alhamdulillah” (agradecimento a Allah).

“Eu sou muçulmano, graças a Deus. Ontem no estádio ouviu-se o cântico de ‘quem não pula é muçulmano’. Eu sei que estava na equipe rival e não era nada pessoal contra mim, mas como muçulmano não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável”, escreveu.

“Eu entendo que nem toda a torcida é assim, mas para aqueles que cantam essas coisas: usar uma religião como zombaria em um campo deixa-os como pessoas ignorantes e racistas. Futebol é para curtir e torcer, não para desrespeitar as pessoas pelo que elas são ou pelo que acreditam. Dito isto, obrigado às pessoas que vieram torcer, nos vemos no mundial”, publicou o jogador, em seu Instagram.

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