O Santos anunciou nesta quinta-feira, 19, a demissão do técnico Juan Pablo Vojvoda. O desligamento do treinador ocorreu minutos depois da derrota por 2 a 1 para o Internacional, na Vila Belmiro, em confronto válido pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro, e foi feito pelo gerente de comunicação Wagner Vilaron, sob alegação de que o presidente Marcelo Teixeira, presente ao camarote do estádio, viajará para o Paraguai para acompanhar o sorteio da Copa Sul-Americana.

O executivo de futebol Alexandre Mattos, por sua vez, estava suspenso pelo TJD-SP por ter invadido a área da arbitragem no intervalo da partida contra o São Paulo.

Junto com Vojvoda, deixam o clube os auxiliares Nahuel Martinez e Gáston Liendo, o preparador físico Luis Azpiazu, o preparador de goleiros Santiago Piccinini e o psicólogo Christian Rodrigues.

“O Santos FC comunica a saída do técnico Juan Pablo Vojvoda e dos membros de sua comissão técnica. O Clube agradece os serviços prestados e deseja sucesso na sequência da carreira”, disse o Peixe em nota.

A saída de Vojvoda força o Santos a arcar com o pagamento integral do valor estipulado em contrato, válido até dezembro de 2026, estimado em R$ 11,7 milhões. O cálculo é feito com base no salário do treinador, de cerca de R$ 1,3 milhão menais.

O clube, com isso, aumenta ainda mais a dívida com ex-treinadores recentes. A Fifa já condenou o Peixe a indenizar o português Pedro Caixinha, demitido em abril de 2025, em 2,3 milhões de euros (R$ 14,4 milhões), além de multa de 5% ao ano desde a data da rescisão – formalizada em 14 de abril. O Peixe recorre na Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Vojvoda deixa o clube com apenas 43,4% de aproveitamento após 33 partidas, com dez vitórias, 13 empates e dez derrotas. O desempenho ficou abaixo até mesmo dos alcançados por Cleber Xavier (42,2%) e Pedro Caixinha (43,1%), seus antecessores.

Bastante pressionado após o empate por 2 a 2 contra o Mirassol, depois de uma pausa de 12 dias sem jogos, o treinador ganhou um “voto de confiança” do presidente Marcelo Teixeira para a sequência de duas partidas na Vila Belmiro: o clássico diante do Corinthians e o confronto com o Inter, então último colocado no Brasileirão. O treinador somou apenas um ponto dos seis disputados.

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, precisará tomar decisão em caso de novo tropeço na Vila - Raul Baretta;Santos FC

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, era um dos poucos defensores da permanência de Vojvoda – Raul Baretta;Santos FC

Dentro do clube, a decisão do dirigente em manter Vojvoda era confrontada por seus pares e foi mantida, principalmente, pelo alto valor da multa rescisória, somado ao enfraquecimento da ideia de uma investida em Cuca como sucessor – embora ainda seja o nome preferido de toda a cúpula santista.

Teixeira recuou na possibilidade de trazer o técnico de 62 anos, que tem três passagens pela Vila Belmiro, temendo um a instauração de um caos e uma repercussão negativa semelhante à enfrentada pelo arquirrival Corinthians quando o contratou em abril de 2023.

Na ocasião, uma onda de manifestações de torcedores devido à condenação por violência sexual de Cuca e outros três atletas do Grêmio contra uma adolescente de 13 anos na Suíça, em 1987, fez com que o trabalho fosse abreviado em somente duas partidas. Ele entregou o cargo dizendo ter sido alvo de um “massacre”.

Condenado à revelia e sem representação legal à época, Cuca voltou a treinar um time de futebol depois que o Tribunal Regional de Berna-Mittelland anulou a sentença inicial do caso, em janeiro de 2024. Passou por Athletico Paranaense no mesmo ano e trabalhou no Atlético Mineiro por oito meses em 2025. Desde então, falou algumas vezes sobre o assunto, dizendo não poder mais se recolher ou ficar calado porque “o silêncio soa como covardia”.

Agora, ainda não há sequer um plano de ação ou mesmo um nome preferido para assumir. Investidas em Vanderlei Luxemburgo, que possui relação próxima com Teixeira e tem três passagens pelo clube, e Tite, um dos favoritos de Neymar, também são cogitadas.