O Brasileirão 2026 começou mais cedo, ainda em janeiro, confirmando a tendência que se observa há alguns anos: o aumento das Sociedades Anônimas de Futebol (SAFs) s e também dos controversos gramados sintéticos. Ao todo, a 71ª edição do Campeonato Brasileiro tem seis SAFs (e mais um clube-empresa) e cinco campos artificiais.

O movimento das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) surgiu para tentar resgatar gigantes caídos e clubes médios ou pequenos. Em vigor desde agosto de 2021, a Lei nº 14.193 permitiu que clubes de futebol se transformassem de associações civis sem fins lucrativos em empresas, com o objetivo de profissionalizar a gestão e atrair investi mento.

Ao separar juridicamente o futebol do clube social, pode-se pedir recuperação judicial ou reprogramar pagamentos.

Quais são as SAFs do Brasileirão 2026

  • Atlético Mineiro
  • Bahia
  • Botafogo
  • Cruzeiro
  • Coritiba
  • Vasc0

A primeira divisão tem seis SAFs operando: Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Coritiba e Vasco (apesar de a gestão atual estar com o clube social, por intervenção judicial). Além disso, há a presença do Red Bull Bragantino, que se transformou em um clube-empresa em 2019, antes de a lei da SAF ser criada. Ou seja, são sete times com donos, em diferentes contextos.

O Bahia faz parte do Grupo City, uma rede multiclubes global, que tem como principal ativo o Manchester City. Em modelo distinto está Cruzeiro, que pertence a Pedro Lourenço, empresário do ramo de supermercados e celeste fanático.

O conto de fadas botafoguense parece perto do fim. Campeão brasileiro e da Libertadores há pouco mais de um ano, o Glorioso tem uma situação política e financeira delicada, um reflexo das confusões envolvendo os outros negócios do dono de sua SAF, o americano John Textor. O Botafogo precisou vender seus principais jogadores, negocia uma complexa recuperação judicial e dificilmente brigará pelo título deste ano.

Aumento no número de sintéticos

Cinco dos 20 participantes da Série A utilizam gramado sintético em seus estádios. O Palmeiras, que aprovou orçamento para 2026 com previsão de R$ 1,2 bilhão, já completa seis anos de piso artificial no Allianz Parque. A dispensa do campo natural foi impulsionada pela movimentada agenda de shows e eventos da arena. Manter um campo de verdade, em bom estado, exigiria um custo alto, mas plenamente pagável para um dos clubes mais poderosos do continente.

Também com altos faturamentos, Botafogo e Atlético Mineiro optaram pela tecnologia, seguindo a lógica do pioneiro Athletico Paranaense e da Chapecoense, que vêm da Série B.

Os estádios da Série A com gramado sintético

  • Arena da Baixada (Athletico-PR)
  • Arena MRV (Atlético-MG)
  • Nilton Santos (Botafogo)
  • Arena Condá (Chapecoense)
  • Allianz Parque (Palmeiras)
Rony, do Palmeiras, no gramado sintético do Allianz Parque

Rony, do Palmeiras, no gramado sintético do Allianz Parque – Alexandre Battibugli/PLACAR

Os donos dos tapetinhos se escoram no fato de não haver estudos conclusivos sobre os riscos de lesão e, sobretudo, na posição da Fifa de permitir o uso de sintéticos certificados em competições profissionais. Mas permitir não é indicar.

A entidade que rege o futebol flexibilizou seus parâmetros visando clubes e países em contexto de desenvolvimento: futebol comunitário, categorias de base, divisões inferiores e regiões de clima extremo ou de escassez hídrica. O referencial normativo segue indicando o gramado natural para o topo da pirâmide.

A resistência parte sobretudo dos protagonistas do espetáculo. A FIF Pro, sindicato global que representa mais de 65 000 atletas, já deixou claro em texto institucional: “Jogadores preferem fortemente jogar em gramado natural”. Em outro comunicado, a organização aponta diferenças no comportamento da bola, maior rigidez superficial e impacto cumulativo nas articulações.

A exigência por gramados naturais e em ótimo estado é um dos fatores que fazem da Premier League e de LaLiga as melhores do planeta. Em seu novo Ma nual de Competições, a CBF prometeu endurecer seus requisitos. Campos artificiais seguem liberados – por ora –, mas, assim como os naturais, passarão por inspeções técnicas e relatórios de avaliação.

Os clubes poderão receber advertências ou até perder o mando de campo em casos extremos de descuido.

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