Autor do segundo gol da vitória da seleção brasileira por 3 a 1 diante da Croácia e vice-artilheiro da Premier League, o atacante Igor Thiago revelou ter tido dificuldades no processo de adaptação ao futebol europeu. Em entrevista à série Um Dia Com, da CazéTV, apresentada por Chico Moedas e Beltrão, o jogador do Brentford destacou os contrastes culturais e os desafios iniciais, especialmente durante sua passagem pela Bulgária
“Londres, a gente fala de uma grande capital, né? […] Na Bulgária a cidade era pequena. Foi um lugar difícil pra mim me adaptar. Lá era uma cultura totalmente diferente, uma perspectiva de vida totalmente diferente da que eu não tava habituado”, iniciou dizendo.
Igor Thiago também ressaltou as dificuldades com a língua e o comportamento local, além da importância do apoio de outros brasileiros no início da trajetória. “Eles não se comunicam tanto no inglês, é no búlgaro. Então, era difícil pra comunicação. E o que me ajudou foi ter oito brasileiros no time. Todo mundo era muito junto, me apoiou muito”, contou.

Igor Thiago ao lado de Chico Moedas e Beltrão – Reprodução/CazéTV
Apesar dos obstáculos, o atacante destacou a rápida evolução no Velho Continente: “meu desenvolvimento nos primeiros seis meses foi surreal. Eu saí da Série B no Brasil pra jogar campeonato búlgaro e competições europeias, como Conference League e Europa League. Foi um salto muito grande”, disse.
Na sequência, a ida para a Bélgica trouxe novos desafios, especialmente pelo nível de exigência: “peguei um time com outra cobrança, que brigava por título e Champions League. A adaptação foi mais complicada nesse sentido, pela pressão e pelo estilo de jogo mais físico”, explicou.
Hoje no futebol inglês, Igor Thiago avalia que a capacidade de adaptação foi fundamental na trajetória. “A gente é como um camaleão, né? Consegue se adaptar em tudo. Isso me ajudou muito nesse percurso para poder chegar aqui”, completou.
O bom desempenho do jogador na Data Fifa de março rendeu elogios do técnico italiano Carlo Ancelotti, que afirmou ter ficado com mais dúvidas do que certezas no último teste antes da convocação final.
O 9 que pode ‘furar a fila’
Igor Thiago “furou a fila” dos concorrentes pela regularidade vivida com a camisa do Brentford nesta temporada. São 33 partidas disputadas, com 22 gols marcados e uma assistência.
Vice-artilheiro do Campeonato Inglês, o camisa 9 faz história como o maior goleador brasileiro em uma única edição da liga mais badalada do mundo, ultrapassando a marca antes dividida por Roberto Firmino, Matheus Cunha e Gabriel Martinelli.
O hoje selecionável foi introduzido ao futebol pelo irmão mais velho, Maycon Richard Júnior, no projeto Grêmio Ocidental, liderado pelo pastor evangélico Sérgio Gonçalves, a quem chama carinhosamente de pai ou de Sergião. O trabalho desenvolvido por ele recebe crianças do “terceiro setor” no Distrito Federal.
Thiago iniciou no futsal aos oito anos, no projeto Grêmio Ocidental, e, pouco depois, começou a se destacar nos gramados, mas sofreu um baque no caminho com a perda precoce do pai, aos 13 anos.

Ao lado do técnico e ‘pai’, o pastor evangélico Sérgio Gonçalves – Arquivo pessoal
Sergião passou a cuidar de perto do pupilo e usou barreiras como a distância de nove quilômetros que separavam a casa em que morava, no bairro Dom Bosco, do campo de terra batida conhecido como “Terrão”, para incentivá-lo.
Ele percorria diariamente o trajeto andando ou correndo todos os dias, transformando a logística precária em treino de condicionamento físico. Pastor evangélico, o treinador de formação ainda aconselhava e acompanhava seu desempenho escolar.
Chegou a ser reprovado em testes no Athletico Paranaense, mas conseguiu chamar atenção se destacando no pequeno Verê-PR. Depois disso, acabou negociado com o Cruzeiro e, rapidamente, foi vendido ao Ludogorets-BUL. A rápida adaptação – e os gols – chamaram a atenção do Club Brugge. Foi campeão e artilheiro na Bélgica, com 29 gols e seis assistências, chegando ao Brentford.

Força física sempre foi a marca registrada do novo convocado, mesmo durante sua formação – Arquivo pessoal
A chegada à Premier League por 30 milhões de libras (R$ 216 milhões) teve um difícil começo devido a uma grave lesão no menisco, em julho de 2024, que comprometeu quase toda a primeira temporada. A volta por cima foi consolidada na atual temporada e pode chegar a seu ápice com a Copa.









