Superlotação mortal
O aumento no número de autorizações para a escalada e a obsessão pelas selfies turísticas levaram uma multidão nunca vista ao topo do Monte Everest

Por que uma pessoa insiste em escalar uma montanha coberta de neve e açoitada por ventos cortantes, de 8 848 metros de altura, repleta de perigos? “Porque ela está lá”, respondeu candidamente o alpinista britânico George Mallory, um dos primeiros obcecados em alcançar o topo do Monte Everest, o mais alto do mundo. Mallory morreu em 1924, a menos de 250 metros de seu objetivo (não se sabe se chegou lá), e seu corpo permaneceu enterrado na neve por 75 anos. Desde então o Everest, pico soberano do Himalaia acessado pelo Nepal, na encosta sul — a menos difícil e a mais movimentada (também há trilhas pela face norte, partindo da China) —, continua atraindo aventureiros que, ano a ano, guiados pelos célebres sherpas, como são chamados os nativos, arriscam a vida na empreitada. O número máximo de alpinistas permitido por temporada costumava ser 300, ao custo de 11 000…
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