O São Paulo desligou uma secretária administrativa nesta quarta-feira, 6. A decisão ocorreu após a abertura de um procedimento interno para apurar suspeitas de que a funcionária atuava como uma ‘fantasma’. A investigação foi iniciada pela gestão do presidente do clube, Harry Massis Júnior, diante de indícios de irregularidades na contratação e na rotina de trabalho da colaboradora.

A funcionária, identificada como Ivana Zavatti, estava registrada no clube desde 2021 com um salário de aproximadamente R$ 7 mil. As suspeitas foram motivadas pelo fato de ela ser a única entre mais de mil colaboradores a atuar exclusivamente em regime de home office, modelo não padronizado pela instituição. Além disso, a secretária não frequentava as dependências do Morumbi ou do CT da Barra Funda.

Os registros de ponto, preenchidos manualmente, apresentavam horários idênticos diariamente, o que levantou questionamentos internos. Outro ponto de atenção foi o uso de um e-mail com o domínio ‘abreujr.com.br’ para o envio das folhas de frequência ao Departamento de Recursos Humanos, em vez do e-mail institucional.

Este domínio é associado ao escritório particular de advocacia de Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo, a quem a secretária era ligada.

Olten Ayres de Abreu confirmou que a profissional era sua secretária pessoal de confiança, contratada após sua aposentadoria. Ele defendeu o regime de home office como uma condição inicial, citando um suposto ‘ambiente hostil’ no clube.

O dirigente argumentou que a secretária trabalhava para o conselho e não para seu escritório particular.

Ayres classificou a demissão como arbitrária e desproporcional, afirmando que não houve justificativa razoável para o desligamento. O episódio ocorre em meio a uma relação política conturbada entre Harry Massis e Olten Ayres, que inclui pedidos mútuos de impeachment e representações na Comissão de Ética do clube.