O futebol teve os holofotes roubados em um exato 17 de junho, também com uma Copa do Mundo em andamento nos Estados Unidos. Há exatos 32 anos, o país deixou a abertura do torneio de lado e passou a acompanhar a perseguição policial a OJ Simpson, astro do futebol americano, acusado de ter assassinado a namorada e um amigo dela.
Quem foi OJ Simpson
Orenthal James Simpson, o OJ Simpson, jogou na NFL, a principal liga de futebol americano, entre 1969 e 1979, primeiro no Buffalo Bills e depois no San Francisco 49ers. Não foi campeão do Super Bowl, a grande final, mas foi eleito o MVP (jogador mais valioso) de 1973 e foi cinco vezes selecionado para o Pro Bowl, o jogo das estrelas do campeonato.
Após a carreira de sucesso no futebol americano, fez fama como ator e garoto-propaganda de diferentes marcas. Virou celebridade amada pelo público e, por ironia do que aconteceria em seu destino, participou dos filmes Corra que a Polícia Vem Aí.
Até que em 1994, a ex-mulher de OJ, Nicole Brown, e um amigo dela, Ron Goldman, foram encontrados mortos a facadas na casa dela em Los Angeles. O ex-jogador era o principal suspeito e teve a sua prisão decretada antes de iniciar a fuga ao lado de um amigo, que estava no volante de um Ford Bronco branco.
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“Nós estávamos cansados de ouvir do mundo inteiro que não éramos o país do futebol e estávamos dispostos a mostrar que poderíamos ser”, disse Scott LeTellier, presidente do comitê organizador da Copa de 1994, ao The Athletic.
Ainda segunda a publicação ligada ao The New York Times, cerca de 95 milhões de americanos deixaram de ver o futebol e acompanharam a perseguição policial, reforçando desinteresse que LeTellier temia. O zagueiro Alexi Lalas, sempre lembrado por sua barba e cabelos ruivos compridos, também se desligou um pouquinho da concentração da seleção americana para assistir ao episódio. O time estreou no dia seguinte, com um empate por 1 a 1 contra a Suíça.
“A Copa do Mundo tinha começado fazia pouco tempo e todos nós estávamos vidrados na TV acompanhando a perseguição a OJ Simpson”, escreveu Lalas no Instagram, no ano passado.
No gramado do Soldier Field, em Chicago, Diana Ross participava do show de abertura da primeira Copa do Mundo realizada no país. A cantora de I’m Coming Out supostamente teria que acertar um pênalti durante a apresentação, mas errou o gol em um claro prenúncio de que as coisas não andariam bem pouco tempo depois de Alemanha e Bolívia darem o pontapé inicial.
Em uma auto-estrada de Los Angeles, na California, a mais de 2,7 mil quilômetros dali, começava uma perseguição acompanhada ao vivo por todas as redes de TV, que passaram a simplesmente ignorar a partida do time de Jurgen Klinsmann, autor do gol solitário da vitória dos alemães.
Uma multidão começou a ganhar as ruas para acompanhar o carro branco passar com um batalhão de viaturas em sua escolta. Havia o temor de que OJ pudesse estar armado e até mesmo atentar contra a própria vida, como sugeria uma carta encontrada na residência do astro.
O ex-jogador foi preso e, posteriormente, levado a julgamento. Os documentários American Manhunt (Netflix) e Made in America (ESPN) contam com detalhes o caso que ainda se arrastou por meses, cercado por episódios ainda mais midiáticos que a própria fuga, com advogados peculiares.
OJ no ‘Julgamento do Século’

OJ Simson durante o ‘Julgamento do Século’ e a polêmica das luvas – Reprodução/Netflix/American Manhunt
O “Julgamento do Século” absolveu OJ em 1995, graças a uma reviravolta no caso. Luvas de couro encontradas na cena do crime foram apresentada no júri, mas elas simplesmente não cabiam nas mãos enormes de um homem de 1,85 metros, running back da NFL. A opinião pública logo se dividiu e debates raciais foram levantados em torno do julgamento.
Já em 2017, OJ foi preso por assalto a mão armada e ficou quase dez anos na prisão. Segundo ele, o objetivo era tomar itens colecionáveis que um homem o teria roubado. OJ morreu em 11 de abril de 2024, aos 76 anos, vítima de câncer.
O Brasil ganhou a Copa de 1994, tendo vencido os Estados Unidos nas oitavas de final. A final foi contra a Itália, que terminou com 3 a 2 na disputa de pênaltis, depois de 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Foi o quarto título mundial da seleção brasileira.






