Opinião – Um convite aos puristas: aceitem com carinho o skate e o surfe
Se o mundo muda, por que não mudar também as olimpíadas? Nos primórdios, havia até cabo de guerra; em breve, o debate será sobre e-sports

Para quem anda fazendo muxoxo com o destaque dado ao skate e ao surfe na Olimpíada de Tóquio, por não considerá-los esportes, convém um aviso: olhe ao redor, converse com a rapaziada, ande pelas ruas (depois que a pandemia autorizar mais liberdade de movimentos, claro). O skate é um fenômeno urbano que desconhece as diferenças sociais. O surfe idem, embora, é natural, brote apenas em cidades litorâneas – mas a cultura que o envolve não pressupõe mar no horizonte. O Comitê Olímpico Internacional (COI), entidade de vetustos cartolas, fez a coisa certa ao atrair as duas modalidades para a agenda olímpica. Era um modo de rejuvenescer os Jogos, de atrair interesse de gente mais moça – e dinheiro, evidentemente, de grandes marcas esportivas que há anos sabem tirar lucro de coleções atreladas às pranchas do asfalto e da água salgada.
Nada contra a luta greco-romana, nada contra as belíssimas provas…
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