Moscou, de 1991 a 2018
Impressões iniciais, 27 anos depois do fim da União Soviética

Estive em Moscou outras duas vezes antes da atual viagem, para a cobertura da Copa do Mundo. Na primeira oportunidade, em novembro de 1990, tinha sido enviado pela VEJA para acompanhar a primeira eleição presidencial do pós-comunismo na Polônia, entre Lech Walesa e Tadeuz Mazowiecki, um intelectual católico que chegara ao poder pelas mãos do próprio líder do Solidariedade. Walesa venceu, depois de uma campanha na qual, em ginásios lotados, os alto-falantes tocavam A Banda, de Chico Buarque. Terminado o trabalho – escrevia então apenas para a edição impressa da revista, em um tempo pré-internet – decidi alcançar o sonho para o qual me organizara desde que soube que estaria em Varsóvia e Gdansk: visitar a cidade de Lutsk, onde nascera minha avó Frida, em 1915. De Varsóvia a Lutsk são 405 quilômetros. Seria fácil, imaginei, pedir a um motorista que me levasse. Mas não. Lutsk, àquela altura, já não…
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