A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história a ter 48 participantes. Assim, isso abriu vagas para as estreantes Cabo Verde, Jordânia, Uzbequistão e Curaçao, aumentando o leque de países que tiveram a experiência.

Porém, em 96 anos de Mundial, algumas das seleções que já participaram da competição nem sequer existem mais. Assim, PLACAR levantou quais são os oito casos; confira.

União Soviética

União Soviética venceu a Eurocopa de 1960 – Divulgação / Uefa

A União Soviética disputou sete Copas entre 1958 e 1990. Estreou já como força competitiva, alcançando quartas de final em 1958 e 1962, e seu melhor resultado foi o quarto lugar em 1966, na Inglaterra. A equipe era formada por jogadores de diferentes repúblicas soviéticas — Ucrânia, Geórgia, Rússia, entre outras — e refletia o modelo centralizado do Estado.

Com o colapso da URSS em 1991, a federação deixou de existir. No curto prazo, houve uma solução transitória (Comunidade dos Estados Independentes), mas rapidamente cada novo país passou a ter sua própria seleção. A Rússia assumiu a principal continuidade institucional e herdou o lugar nas competições internacionais, mas os registros da Copa permanecem vinculados à antiga União Soviética.

Iugoslávia

Rivelino, do Brasil durante jogo entre Brasil 0 x 0 Iugoslávia, partida válida pela Copa do Mundo de 1974, no Estádio Waldstadion – J. B. SCALCO/PLACAR

A Iugoslávia foi presença constante entre 1930 e 1990, com oito participações. Chegou às semifinais nas duas primeiras grandes campanhas (1930 e 1962) e era reconhecida por formar jogadores técnicos e competitivos, com forte tradição em clubes.

O país se desintegrou nos anos 1990, em meio a guerras e processos de independência. A consequência esportiva foi a fragmentação completa: surgiram seleções independentes como Croácia, Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Eslovênia e Macedônia do Norte.

Não há um herdeiro único da Iugoslávia no futebol. A Sérvia carrega parte da continuidade, mas os resultados históricos permanecem associados à entidade iugoslava.

Tchecoslováquia

Pelé comemora gol contra a Tchecoslováquia na Copa de 70 - Orlando Abrunhosa/PLACAR

Pelé comemora gol contra a Tchecoslováquia na Copa de 70 – Orlando Abrunhosa/PLACAR

A Tchecoslováquia disputou oito Copas e construiu uma trajetória consistente. Foi vice-campeã em 1934, perdendo a final para a Itália, e voltou à decisão em 1962, quando perdeu para o Brasil. Era uma seleção de organização tática sólida e tradição técnica, com presença frequente em fases decisivas.

Em 1993, o país foi dissolvido de forma pacífica, dando origem à República Tcheca e à Eslováquia. No futebol, as duas federações passaram a competir separadamente. Não houve divisão de títulos ou resultados: tudo o que foi conquistado permanece creditado à Tchecoslováquia.

Alemanha Ocidental

Capitão da Alemanha Ocidental, Franz Beckenbauer recebe a taça de campeão da Copa do Mundo de 1974 - AFP

Capitão da Alemanha Ocidental, Franz Beckenbauer recebe a taça de campeão da Copa do Mundo de 1974 – AFP

A Alemanha Ocidental é um caso de continuidade. Disputou nove Copas entre 1954 e 1990 e conquistou três títulos (1954, 1974 e 1990), além de três vice-campeonatos.

Com a reunificação alemã em 1990, a federação da Alemanha Ocidental foi incorporada à estrutura da Alemanha unificada. Diferentemente de outros casos, houve transferência direta de legado: títulos, jogos e estatísticas passaram integralmente a compor a história da Alemanha atual.

Alemanha Oriental

A Alemanha Oriental teve presença pequena em Copas. Jogou apenas para o Mundial de 1974, disputado justamente na Alemanha Ocidental. Na primeira fase, venceu o confronto direto contra o rival, mas acabou eliminada na segunda fase.

Com a reunificação, em 1990, a federação da Alemanha Oriental foi dissolvida e incorporada ao sistema da Alemanha unificada. Diferente do lado ocidental, não houve continuidade própria: a seleção deixou de existir e seus registros ficaram como capítulo isolado na história do torneio.

Zaire

Rivellino e Miriandinha, durante jogo entre Brasil 3 x 0 Zaire, partida válida pela Copa do Mundo de 1974, em Gelsenkirchen – Acervo/PLACAR

O Zaire disputou a Copa de 1974, na Alemanha Ocidental, sendo a primeira seleção da África Subsaariana a participar do torneio. A campanha foi negativa: três derrotas, nenhum gol marcado e uma goleada por 9 a 0 contra a Iugoslávia.

Em 1997, o país mudou de nome para República Democrática do Congo, após a queda do regime de Mobutu. É o mesmo Estado, com continuidade institucional. No futebol, a seleção atual é considerada sucessora direta do Zaire, mas com outro nome e bandeira.

Índias Orientais Holandesas

Seleção das Índias Orientais, em 1938 – Fifa

As Índias Orientais Holandesas disputaram a Copa de 1938, na França. Era uma seleção que representava uma colônia dos Países Baixos, formada majoritariamente por jogadores locais sob administração colonial.

Como o formato da época era eliminatório direto, a equipe fez apenas um jogo e foi eliminada.

Com a independência, após a Segunda Guerra Mundial, o território deu origem à Indonésia. A seleção indonésia é considerada sucessora histórica, mas o contexto é distinto: é uma transição de colônia para Estado soberano, o que altera completamente a base política e institucional da equipe.

Sérvia e Montenegro

Territória da “temporária” Sérvia e Montenegro – Wikimedia

Sérvia e Montenegro disputou a Copa de 2006, na Alemanha. O país era uma união estatal formada após o fim da Iugoslávia, e sua seleção representava a continuidade formal daquele processo. A campanha foi curta, com eliminação ainda na fase de grupos.

Pouco depois do torneio, a união foi dissolvida. Sérvia e Montenegro se tornaram países independentes, e a Sérvia foi reconhecida como sucessora esportiva. Esse caso funciona como etapa final da fragmentação iniciada com a Iugoslávia.