O Botafogo foi incluído pela Fifa na lista de clubes com transfer ban e está impedido de registrar novos jogadores a partir desta quarta-feira, 31. A punição decorre de uma dívida relacionada à contratação do meia argentino Thiago Almada, adquirido junto ao Atlanta United, dos Estados Unidos, em 2024.
A sanção tem como base uma decisão definitiva da Corte Arbitral do Esporte (CAS), que condenou a SAF do Botafogo ao pagamento de 21 milhões de dólares ao clube norte-americano. A sentença não cabe recurso. Com isso, a Fifa aplicou a penalidade administrativa que bloqueia o registro de atletas por até três janelas de transferências, até que a pendência seja quitada ou formalmente renegociada.

Almada brilha com a camisa da Argentina – ALEJANDRO PAGNI / AFP
O caso teve origem no não pagamento de parcelas previstas para julho e setembro de 2024. À época, o Botafogo argumentou junto às instâncias da Fifa que o valor devido seria restrito às parcelas em atraso, estimadas em cerca de R$ 32 milhões, mas o entendimento não prevaleceu. A audiência ocorreu em outubro, e a decisão foi protocolada no fim de dezembro.
Contratado em uma das maiores operações da história do clube, Almada teve passagem marcante: conquistou Brasileirão e Libertadores, foi emprestado ao Lyon e posteriormente vendido ao Atlético de Madrid. A dívida, no entanto, permaneceu aberta e resultou na sanção agora aplicada.
John Textor e Botafogo
A situação ocorre em meio a um momento de instabilidade institucional. Dois dias antes da divulgação do transfer ban, John Textor oficializou uma proposta à Eagle Football para recomprar a SAF do Botafogo, movimento que busca separar o clube carioca da estrutura multiclubes que inclui Lyon, RWDM Brussels e Florida FC.
Textor adquiriu a SAF em 2022 por R$ 400 milhões e, em 2025, passou a contestar a forma de gestão financeira dentro do grupo. Ao longo de 2025, a Eagle Football e investidores passaram a disputar o poder de decisão e a engenharia financeira do grupo, com troca pública de acusações.

Torcida do Crystal Palace protesta contra formato multiclube administrado por JOhn Textor – Adam Davy / Getty Images
A Eagle afirma que Textor adotou medidas “ilícitas” e contestou operações internas que incluíam reestruturações de dívidas e proposta de empréstimo com garantias amarradas a receitas relevantes do Botafogo. Por outro lado, Textor se defende, dizendo que tenta reorganizar o modelo e “separar” o clube carioca do braço europeu.
A crise também atravessa o Lyon, principal ativo europeu do conglomerado, que entrou no noticiário por sanções financeiras na França e por suspeitas sobre operações de mercado dentro do multiclube. Além disso, segundo informações da imprensa europeia, Textor ainda teve que se defender de acusações de “transferências fantasmas”









