A poucos dias da convocação de Carlo Ancelotti para os amistosos da seleção brasileira contra Croácia e França, em março, algumas posições reservam dúvidas. Entre esses setores, maior atenção para a lateral direita, que ganhou nos últimos meses um novo candidato: Arthur, do Bayer Leverkusen.
Revelado pelo América-MG, o jogador de 22 anos vive o período mais estável desde que chegou à Alemanha. A sequência de minutos e a adaptação ao ambiente europeu coloca o jogador presente em 22 dos 32 jogos do time na temporada.
Ele se firmou como titular na ala pelo lado direito e soma três assistências em 13 jogos da Bundesliga. Em entrevista exclusiva à PLACAR, Arthur contou sobre seu sonho de representar o Brasil na Copa do Mundo e analisou papel do lateral no futebol atual.
Maturação de Arthur na Europa
“Tenho tido mais tempo de jogo, adquiri um pouco mais de maturidade e me adaptei à língua, à cultura e ao estilo tático que se usa aqui no clube e ao que é exigido nos jogos da Bundesliga. Acredito que tudo isso, somado ao trabalho que tenho feito dentro e fora de campo, tem colaborado para que esta temporada venha sendo melhor”, afirmou Arthur sobre sua evolução.
Na mesma linha, o lateral relatou seu início de passagem pelo Leverkusen, em junho de 2023. “Eu me assustei um pouco quando cheguei, com comida, tudo. Mas busquei me preparar da melhor forma possível antes de ir para a Alemanha”, afirmou a cria do América-de Minas.

Arthur, lateral do Bayer Leverkusen – Divulgação / Instagram
“Dois meses antes de viajar comecei a fazer aulas de alemão online, então não cheguei completamente cru. Eu conseguia me apresentar, pedir água e coisas básicas,. Sabia que isso poderia me ajudar a adaptar mais rápido, tentar fazer amizades, seja no clube, nos primeiros dias, na rua, ou resolver algum problema”, complerou.
Adepto do tratamento psicológico e trabalho com analistas para a melhora do rendimento extracampo, o jogador de 22 anos também evoluiu em aspectos físicos. Conforme informações de seu staff, desde que saiu do Brasil, Arthur ganhou 5 kg e diminuiu o percentual de gordura de 8% para 4,5%, com trabalho especial de médico nutrólogo e gestor de performance, que atua tanto na preparação física quanto na fisioterapia preventiva e na recuperação.
Sonho de seleção brasileira
O momento, naturalmente, recoloca o jogador no campo de observação da seleção brasileira. Convocado por Ramón Menezes em 2023, posteriormente ficou de fora por lesão muscular grave, entre setembro daquele ano e abril de 2024.
Arthur admitiu a expectativa de aparecer em futuras listas: “O coração bate mais forte, mas busco fazer o meu melhor aqui no Leverkusen, porque fazendo isso sei que vou chamar atenção naturalmente. Tive a oportunidade de estar na seleção, mas a lesão acabou adiando o processo.”

Arthur com a camisa da seleção brasileira – Divulgação / Instagram
“Usei esse período para evoluir fisicamente e me preparar mentalmente para o que estava por vir. Hoje enxergo que estou colhendo frutos do que plantei ao longo dos anos e sigo trabalhando para ter nova oportunidade e honrar a seleção”, prosseguiu Arthur.
Na mesma linha, admitiu que, pelo histórico de brasileiros na posição, há, sim, um peso maior. “Sabemos dessa pressão de ser brasileiro na posição, mas busquei enxergar isso como combustível para mostrar aquilo que me trouxe até aqui. Continuei fazendo o que sei, mantendo a ofensividade que sempre tive, mas também busquei aprender muito a parte defensiva.”
Função do lateral no futebol atual
Nessa mesma linha, Arthur destacou a evolução e as exigências de sua função em campo. “O pensar e o ler a jogada antes dela acontecer tiveram grande impacto nos meus primeiros treinos e semanas. A intensidade do jogo é diferente em relação ao Brasil. Demorou um pouco até eu me adaptar”, analisou, abrindo espaço para uma lembrança de sua trajetória.
“Quando comecei, era atacante e pivô, então tenho essa característica ofensiva natural. Não perdi isso, mas fui observando quem já estava no clube e ampliando meu conhecimento tático para agregar ao meu jogo defendendo. O futebol tem exigido equilíbrio, e vejo isso como parte do desenvolvimento”, pontuou.
Nesse contexto, ainda citou sua ambidestria: “Desde novo consegui usar bem as duas pernas, e isso me favorece até hoje. Posso jogar pelos dois lados, adaptar posicionamento, usar uma base ou outra conforme a situação. Com as formações atuais, linha de três, uso de alas, isso vira vantagem para mim, que gosto de chegar bastante, como os laterais de antigamente.”
O Bayer Leverkusen campeão
Apesar de ter ficado afastado por lesão durante grande parte da temporada 2023/24, Arthur vivenciou o Bayer Leverkusen campeão da Bundesliga e da Copa da Alemanha. Essas conquistas sob comando do técnico Xabi Alonso, recentemente demitido pelo Real Madrid, encerraram um jejum de 30 anos sem títulos.

Arthur comemora título da Bundesliga – Divulgação / Bayer Leverkusen
“Foi um ano mágico, com muito mérito do que o Xabi construiu. Ele passava informações constantemente, participava dos treinos e transmitia tranquilidade mesmo quando estávamos atrás no placar. Incentivava foco no próximo gol, e isso fortalecia a mentalidade coletiva”, contou o brasileiro.
Inserido em competições de elite, o jogador descreveu também a vivência de noites de Champions League, contexto plausível para o Leverkusen atual. “Quando toca o hino arrepia, porque sabemos a grandeza da competição. Às vezes paro e penso que jogava com esses atletas no videogame e hoje estou competindo com eles. É uma sensação muito gratificante.”





