O novo técnico da Alemanha, Jürgen Klopp, refletiu na última quinta-feira, 17, sobre a diferença entre o nacionalismo e o patriotismo alemão em meio a um conturbado contexto político no país. Durante a convocação da seleção para a próxima Data Fifa, o treinador disse que uma de suas pretensões é resgatar das “pessoas erradas” as manifestações de orgulho nacional.
“Não quero deixar o orgulho nacional nas mãos das pessoas erradas. Quero que, quando alguém agitar a bandeira, ninguém pense: ‘O que há de errado com você?’. Em vez disso, quero que as pessoas entendam: você está feliz e percebe a sorte que teve de nascer, crescer ou se mudar para este país maravilhoso”, disse Klopp.
O treinador ainda ressaltou que os alemães devem ficar tranquilos para demonstrar orgulho pelo país sem ser associados ao extremismo.
“É possível ter orgulho de ser alemão e, ainda assim, ser aberto, valorizar a diversidade, ser gentil e amistoso, e continuar demonstrando compaixão? Tenho 100% de certeza: sim!”, complementou o técnico, que vestia um boné com a mensagem “um de 83 milhões”, em alusão ao número estimado de população da Alemanha.
Klopp, assim chamou a atenção para as diferenças entre patriotismo, que é o amor cívico e pacífico pela pátria, enquanto o nacionalismo é uma ideologia política focada na soberania e na exaltação de uma nação em relação a outra.
Repercussão da declaração
A fala do ex-treinador do Liverpool, que sempre demonstrou posições progressistas, foi entendida como uma reprovação à ascensão extrema direita do país. No início deste mês, o partido AfD (Alternativa para a Alemanha) venceu a eleição no estado de Saxônia-Anhalt, no leste do país, derrotando grupos tradicionais alemães.
Como ressalta o perfil Copa Além da Copa, esta foi a primeira grande vitória da extrema-direita alemã desde o fim da Segunda Guerra. A última vez que isso aconteceu foi em 1933, quando o Partido Nazista venceu as eleições federais.
A AfD utiliza o orgulho alemão em seu discurso xenofóbico. O partido defende, por exemplo, a expulsão de imigrantes do país, além da rejeição à União Europeia e à proteção climática. Klopp, porém, propõe o contrário, uma vez que acredita na valorização da diversidade, gentileza, amizade e compaixão.
A relação entre AfD, nazismo e nacionalismo alemão, no entanto, é difícil de negar, segundo o perfil. No início de 2025, após realizar uma saudação nazista durante a posse de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, Elon Musk participou de um evento da AfD. Durante o encontro, o empresário disse que os alemães precisavam “superar a vergonha do seu passado”.



