Em uma noite de muita transpiração e resiliência na Claro Arena, em Santiago, o Cruzeiro provou a força de seu sistema defensivo. Na noite desta quarta-feira (06), a equipe mineira segurou um empate por 0 a 0 contra a Universidad Católica, em duelo válido pela 4ª rodada do Grupo D da Copa Libertadores. O resultado ganha ares de heroísmo após a Raposa atuar praticamente todo o segundo tempo com um jogador a menos, devido à expulsão polêmica de Arroyo.
Equilíbrio, tensão e chances desperdiçadas
Debaixo de um frio de 12 graus e com o gramado escorregadio, a primeira etapa foi marcada por um duelo tático intenso e muita rispidez. As duas equipes, cientes da importância do confronto direto pela liderança da chave, alternaram bons momentos. Aos 17 minutos, o goleiro Otávio começou a brilhar ao sair nos pés de Montes, evitando o gol chileno com uma intervenção providencial. A resposta cruzeirense veio no lance seguinte: Kaio Jorge recebeu um passe magistral de Matheus Pereira, driblou o goleiro, mas, sem ângulo, finalizou para fora, perdendo a chance mais clara do time brasileiro no jogo.
O clima esquentou nos minutos finais do primeiro tempo, com o volante argentino Zuqui provocando os jogadores celestes, especialmente Gerson, ditando o tom nervoso que tomaria conta da etapa complementar.
A polêmica que reescreveu a partida
O segundo tempo mal havia começado e a Católica quase abriu o placar aos 46 minutos, quando Giani testou firme e a bola tirou tinta da trave direita de Otávio. No entanto, o lance capital da partida ocorreu logo aos 48 minutos. Após uma disputa de bola, Arroyo cometeu falta em Zuqui. O argentino valorizou o contato com um exagero teatral, induzindo o árbitro colombiano Andrés Rojas a aplicar o cartão vermelho direto para o jogador do Cruzeiro. A decisão gerou revolta generalizada no banco celeste e mudou drasticamente a configuração tática do confronto.
Muralha azul frustra pressão chilena
Com um homem a menos, o técnico Artur Jorge foi obrigado a recuar suas linhas. O Cruzeiro abdicou do ataque e construiu uma verdadeira trincheira na entrada de sua área. A Universidad Católica, por sua vez, assumiu o controle absoluto da posse de bola, mas esbarrou na falta de criatividade. A equipe chilena limitou-se a cruzar dezenas de bolas na área brasileira.
Foi então que brilhou a estrela do sistema defensivo cruzeirense. Fabrício Bruno, Kaiki e, nos minutos finais, Jonathan Jesus, foram impecáveis no jogo aéreo. Quando a zaga não cortava, o goleiro Otávio demonstrava extrema segurança para encaixar os cruzamentos ou afastar o perigo com socos. Apesar da pressão sufocante e dos seis minutos de acréscimo, os donos da casa não conseguiram furar o bloqueio.
Com o apito final, o empate sem gols foi comemorado como uma vitória pelos brasileiros. O resultado mantém o Cruzeiro e a Universidad Católica na ponta do Grupo D, deixando a definição das vagas para as oitavas de final totalmente em aberto para as rodadas finais do torneio continental.




