Juan Román Riquelme. Ele nasceu na Argentina, fez história no Boca Juniors, mas é adorado pelos brasileiros. É o que comprova o  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou na última terça-feira, 4, uma nova plataforma que permite consultar os nomes mais comuns do Brasil.

Os dados, baseados no Censo Demográfico de 2022, revelam mais de 124 mil nomes próprios registrados no país — um levantamento que também abre espaço para curiosidades ligadas ao mundo do futebol. Por motivos de sigilo estatístico, o IBGE não divulga nomes utilizados por menos de 20 pessoas. Ainda assim, alguns padrões chamam atenção, como o crescimento impressionante do nome Riquelme, praticamente inexistente no país até os anos 2000.

O aumento começou a acontecer justamente na década em que o meia argentino encantava o mundo da bola. Entre 2000 e 2009, 12.220 crianças foram registradas com esse nome, e o censo aponta que hoje existem 25.942 Riquelmes no Brasil — a maioria deles no estado de São Paulo, com mais de 3.700 registros. A idade média dos “Riquelmes” é de 12 anos.

Vale lembrar que o levantamento considera apenas a grafia idêntica à do sobrenome do ídolo e atual presidente do Boca Juniors. O IBGE também aponta outras variações, como “Rikelme”, presente em 4.675 registros, entre outras adaptações.

Riquelme em duelo com o volante Arouca - Marcelo Sayão/EFE

Riquelme em duelo com o volante Arouca, do Fluminense, na Libertadores de 2008 – Marcelo Sayão/EFE

Mas quem foi Riquelme?

Juan Román Riquelme foi um dos maiores meias da história do futebol argentino e ídolo absoluto do Boca Juniors, clube pelo qual conquistou 15 títulos, incluindo três Copas Libertadores (2000, 2001 e 2007).  A ligação é tão forte que, aos 47 anos, Riquelme é o atual presidente do clube.

Conhecido pela técnica refinada, visão de jogo e precisão nas bolas paradas, Riquelme é amplamente reconhecido como um dos jogadores mais talentosos de sua geração, ainda que só tenha disputado uma Copa do Mundo (2006) e não tenha brilhado em um grande clube da Europa.

Riquelme jogou profissionalmente entre 1996 e 2014. Assim como Diego Armando Maradona, é cria da base do Argentinos Juniors, clube pelo qual encerrou sua carreira na segunda divisão argentina. Brilhou pelo Boca em duas passagens (1996 a 2002 e 2007 a 2014).

Vendido ao Barcelona sob grande expectativa, teve problemas com o técnico holandês Louis van Gaal e só conseguiu maravilhar a Espanha com sua magia atuando pelo Villarreal, entre 2003 e 2007. Sob seu comando, o time chegou à semifinal da Champions League em 2006 – foi eliminado pelo Arsenal, com Riquelme perdendo um pênalti decisivo.

Pela seleção argentina, disputou a Copa das Confederações de 2005, a Copa do Mundo de 2006, as Copas América de 1999 e 2007 e conquistou o ouro olímpico nos Jogo de Pequim-2008. Era um craque temperamental, que ficou de fora da Copa de 2002 por não conseguir convencer o técnico Marcelo Bielsa, e da de 2010, por desavenças com o técnico Maradona.

Riquelme, do Boca Júniors, em sua atuação mais memorável, na final do Mundial Interclubes de 2000, contra o Real Madrid – Getty Images

No Brasil, o nome Riquelme carrega lembranças marcantes — especialmente para os torcedores do Palmeiras, sua principal “vítima”. O camisa 10 brilhou nas finais da Libertadores de 2000 e demissão de 2001, com atuações memoráveis que selaram sua idolatria e o colocaram de vez no imaginário do torcedor sul-americano.

É de se supor, portanto, que muitos dos pais que o homenagearam sejam corintianos ou são-paulinos. Ou ainda torcedores do Inter, que se alegraram com a emblemática atuação de Riquelme nas finais da Libertadores de 2007, em que o Boca passou facilmente pelo Grêmio. Recentemente, o eterno camisa 10 xeneize foi incluído na seleção histórica da Libertadores.

Riquelme contra César Sampaio, do Palmeiras, no primeiro jogo da final da Taça Libertadores, no Estádio La Bambonera (Ricardo Correa/Placar)

Se foi carrasco dos clubes do Brasil pelo Boca Juniors, Riquelme sofreu frustrações contra a seleção brasileira. Foi derrotado nas Copas América de 1999 e 2007, e também na final da Copa das Confederações de 2005. Mas marcou um de seus gols mais memoráveis diante do Brasil, em triunfo por 3 a 1 da Argentina no Monumental de Núñez, nas Eliminatórias para a Copa de 2006.

Mesmo com milhares de “Riquelmes”, incluindo alguns jogadores profissionais e em categorias de base espalhados pelo país, é difícil imaginar que surja outro tão talentoso como o original argentino.

Números de Riquelme

Riquelme na derrota por 4 a 1 para o Brasil na final da Copa das Confederações de 2005 – Christian/Corbis via Getty Images)

641 jogos
162 gols

Títulos:

Boca Juniors

Campeonato Argentino: 1998 Apertura, 1999 Clausura, 2000 Apertura, 2008 Apertura, 2011 Apertura
Copa Libertadores da América: 2000, 2001, 2007
Copa Intercontinental: 2000
Recopa Sul-Americana: 2008
Copa Argentina: 2011-12

Villarreal
Copa Intertoto da UEFA 2003, 2004

Barcelona
Troféu Joan Gamper: 2002, 2003

Seleção argentina
Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20: 1997
Campeonato Mundial de Futebol Sub-20: 1997
Torneio Internacional de Toulon: 1998
Ouro nos Jogos Olímpicos: 2008