A geopolítica e o esporte voltaram a se cruzar de forma direta nos preparativos para a Copa do Mundo de 2026. Após o presidente da Fifa, Gianni Infantino, assegurar que o Irã estará presente na competição, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu de forma pragmática. A competição será realizada de forma conjunta pelos americanos ao lado de México e Canadá, entre junho e julho.

“Se o Gianni disse isso, estou de acordo”, afirmou Trump, que ainda completou: “sabe de uma coisa? Deixem eles jogarem”.

Infantino confirmou a presença dos iranianos no torneio durante a fala de abertura do congresso da Fifa nesta quinta-feira, 30, em Toronto, no Canadá, que não contou com integrantes da delegação do país.

“Deixe-me começar. Claro que o Irã participará da Copa do Mundo de 2026. E claro que jogará nos Estados Unidos. E a razão é simples: precisamos nos unir. É minha responsabilidade, nossa responsabilidade”, disse.

A participação do Irã em solo americano é um tema sensível desde o anúncio das sedes. Na última última quarta, 29, dirigentes da federação iraniana afirmaram terem sido barrados no aeroporto de Toronto e decidiram retornar ao país alegando tratamento inadequado.

Trump e Infantino se mostaram 'friends' na organização da Copa 2026 - WILL OLIVER/EFE

Trump e Infantino se mostaram ‘friends’ na organização da Copa 2026 – WILL OLIVER/EFE

O estatuto da Fifa é rígido ao exigir que os países-sede garantam livre acesso a todas as seleções classificadas e seus torcedores, independentemente de relações diplomáticas.

Infantino tem trabalhado nos bastidores para assegurar que os processos de visto para atletas iranianos ocorram sem os entraves políticos que marcaram os últimos anos. O governo americano, por meio do Departamento de Estado, já sinalizou que estabelecerá protocolos especiais de segurança para delegações de países com os quais não possui relações diplomáticas formais, visando evitar incidentes e garantir a integridade do evento.

Na Copa de 1998 e, mais recentemente, no Catar em 2022, Estados Unidos e Irã se enfrentaram em campo. Em ambas as ocasiões, os jogos foram marcados por protocolos de paz e trocas de flores entre os jogadores, embora o entorno tenha sido cercado por forte vigilância.

Para 2026, a infraestrutura de segurança montada será a maior da história das Copas. Fontes ligadas à inteligência americana indicam que haverá uma coordenação inédita entre o FBI, o Departamento de Segurança Interna (DHS) e agências internacionais para monitorar não apenas o Irã, mas todas as zonas de risco, garantindo que o foco permaneça estritamente no futebol.

O Congresso da entidade reuniu mais de 200 federações nacionais.