A resposta definitiva para a pergunta sobre as ausências de peso no torneio tem um protagonista claro: a Itália foi eliminada na repescagem europeia após perder para a Bósnia e Herzegovina, consolidando seu maior vexame esportivo. Além da tetracampeã mundial, seleções fortes como Dinamarca, Chile, Nigéria, Camarões e Polônia também falharam em suas respectivas competições qualificatórias e assistirão de casa à primeira edição do evento esportivo com 48 times, que ocorrerá entre Estados Unidos, México e Canadá em junho de 2026.

O drama da Itália nas eliminatórias europeias

O fracasso mais chocante do atual ciclo esportivo pertence ao futebol italiano. A Azzurra tornou-se a única seleção campeã do mundo a ficar de fora de três edições consecutivas do torneio da Fifa (2018, 2022 e 2026). Após oscilar na primeira fase e ser superada pela Noruega em sua chave de grupos, a equipe de Gennaro Gattuso foi obrigada a disputar os temidos playoffs continentais.

A queda irreversível ocorreu no estádio Bilino Polje, em Zenica, contra a Bósnia e Herzegovina. Após um empate tenso de 1 a 1 no tempo normal, a equipe italiana foi derrotada por 4 a 1 nos pênaltis, punida pelos erros nas cobranças de Francesco Esposito e Bryan Cristante. Com um elenco estrelado e avaliado em mais de 800 milhões de euros, o país projeta pelo menos 16 anos ininterruptos sem disputar a fase de mata-mata da competição, visto que a última aparição italiana na fase de grupos ocorreu em 2014, no Brasil.

Ranking das principais seleções fora do mundial

Apesar da expansão sem precedentes no número de vagas, outras equipes de peso tropeçaram nas impiedosas fases eliminatórias de seus continentes. Abaixo, o detalhamento das potências que também não alcançaram a classificação oficial:

  1. Dinamarca

Considerada uma equipe de consistência defensiva sólida na Europa, a seleção dinamarquesa caiu na fase de repescagem. O elenco não conseguiu superar a Tchéquia, empatando em 2 a 2 no tempo normal e amargando uma dolorosa eliminação por 3 a 1 nos pênaltis, encerrando precocemente seu ciclo esportivo.

  1. Chile

Pela América do Sul, a esquadra chilena foi vítima da incapacidade de renovar suas peças ao longo da década. O país entregou resultados insuficientes no modelo de pontos corridos da Conmebol e confirmou a sua terceira ausência seguida no torneio, assim como o rival Peru, marcando o fim definitivo da geração bicampeã da Copa América.

  1. Nigéria

Uma das camisas mais admiradas da África não desfilará nos gramados da América do Norte. A equipe nigeriana foi superada pela República Democrática do Congo na fase final das exigentes eliminatórias africanas, consolidando o segundo fracasso seguido do país na tentativa de alcançar o torneio mundial.

  1. Camarões

Sempre figurando como uma representante de enorme peso continental, a equipe camaronesa caiu na segunda fase do qualificatório da Confederação Africana. Repetindo o algoz nigeriano, os Leões Indomáveis perderam o confronto para a República Democrática do Congo, privando o evento esportivo de uma das seleções mais carismáticas da história.

  1. Polônia

No altamente competitivo cenário da Uefa, a equipe polonesa desperdiçou sua oportunidade ao cair na repescagem. Os europeus enfrentaram a Suécia e perderam o embate final pelo avanço na tabela, configurando uma das ausências de seleções com craques isolados no ataque.

Os grandes craques que perdem o torneio em 2026

O desastre nos torneios qualificatórios dessas federações impede a escalação de dezenas de estrelas da elite do futebol na principal vitrine da modalidade, alterando drasticamente o peso comercial e a fluidez técnica do campeonato.

A tragédia italiana impede as atuações do goleiro Gianluigi Donnarumma, do pilar defensivo Alessandro Bastoni e do versátil meia Nicolò Barella. Já a queda da Polônia decretou que o premiado goleador Robert Lewandowski perde a oportunidade de fazer sua terceira aparição na competição em fim de carreira.

Khvicha Kvaratskhelia, atacante da Geórgia – Divulgação / Uefa

A contabilidade de desfalques milionários respinga em quase todos os maiores clubes do planeta. O astro Victor Osimhen foi anulado pelo fracasso nigeriano e não mostrará sua capacidade técnica em gramados americanos. A competição também sofre com as ausências definitivas do atacante Khvicha Kvaratskhelia, eliminado com a Geórgia, do armador Dominik Szoboszlai, capitão da Hungria, e de Jan Oblak, goleiro da Eslovênia, cujas equipes cederam ao rigoroso funil das eliminatórias continentais.

A dura fotografia de 2026 prova que um torneio inflado não protege países de tradição contra a própria desorganização tática, consolidando o período atual como a fase qualificatória de maior nível de ruptura da história.