Responder à pergunta sobre quais treinadores conseguiram ganhar a Copa do Mundo como jogador e como técnico exige olhar para o topo absoluto da história do esporte. Em mais de 90 anos de torneio, apenas três profissionais levantaram a taça nas duas posições: o brasileiro Mário Jorge Lobo Zagallo, o alemão Franz Beckenbauer e o francês Didier Deschamps. O grupo é tão restrito que, na era moderna do futebol, a marca se tornou o principal atestado de genialidade tática e técnica de uma lenda nacional.
O pioneirismo de Mário Zagallo no Brasil
O grande responsável por inaugurar essa marca na história do futebol foi Mário Zagallo. O Velho Lobo conquistou o planeta primeiro calçando chuteiras, sendo uma peça fundamental na ponta-esquerda da Seleção Brasileira durante as campanhas dos títulos mundiais de 1958, na Suécia, e de 1962, no Chile. Sua inteligência tática dentro de campo rapidamente o levou ao banco de reservas logo após pendurar as chuteiras.
Em 1970, no México, Zagallo assumiu o comando da equipe a poucos meses da competição. Com apenas 38 anos, o ex-jogador formou o que é amplamente considerado o maior esquadrão de todos os tempos. Ao vencer a Itália na grande final, ele se isolou como o primeiro homem a sagrar-se campeão mundial como atleta e comandante. O brasileiro ainda somaria uma quarta taça em 1994, atuando como coordenador técnico da seleção.
A lista histórica de campeões duplos
Após o feito isolado do brasileiro na década de 1970, o mundo precisou esperar vários anos para ver a história se repetir em gramados europeus. Abaixo, confira os nomes que completam o trio de lendas da Fifa:
Franz Beckenbauer (Alemanha)
Conhecido mundialmente como o Kaiser, Beckenbauer liderou o meio-campo e a defesa da seleção da Alemanha Ocidental no título inédito de 1974, conquistado em casa contra a forte Holanda de Johan Cruyff. Dezesseis anos depois, ele provou ser um estrategista formidável do lado de fora do gramado. Como treinador da equipe nacional, Beckenbauer faturou o tricampeonato em 1990, na Itália, após uma vitória histórica na final contra a Argentina de Diego Maradona.

Franz Beckenbauer fez história por Bayern de Munique e seleção alemã – Divulgação
Didier Deschamps (França)
O volante de marcação incansável usou a braçadeira de capitão para erguer o primeiro troféu mundial da França no torneio disputado em seu próprio país, em 1998. Exatas duas décadas mais tarde, Deschamps repetiu o feito no banco de suplentes. Ele organizou a talentosa geração francesa de Kylian Mbappé e Antoine Griezmann e conquistou o título na Rússia, na edição de 2018. O comandante quase se tornou bicampeão como técnico em 2022, mas sofreu uma derrota nos pênaltis na decisão.
O desafio para a atualidade do futebol
Repetir essa glória dupla é o maior teste de longevidade no futebol de alto rendimento. Pensando no cenário esportivo atual e nas próximas edições da disputa mundial, o surgimento de novos candidatos depende de jogadores campeões recentes que estão consolidando uma transição bem-sucedida para a carreira técnica.
Nomes consagrados como Xabi Alonso e Xavi Hernández, que foram engrenagens fundamentais no título da Espanha em 2010, hoje figuram como comandantes de peso na elite europeia e são apostas frequentes para assumir seleções no futuro. Da mesma forma, ídolos recentes da Itália, a exemplo de Daniele De Rossi e Fabio Grosso, também iniciaram a caminhada tática e sonham em um dia comandar seus países no torneio da Fifa.
Permanecer neste seleto grupo formado por Zagallo, Beckenbauer e Deschamps reforça o quão raro é dominar a estrutura do esporte em duas frentes distintas. Alcançar o ápice atlético exigido pela competição já reserva espaço apenas para gigantes, mas conseguir adaptar e transmitir essa visão vitoriosa para uma nova geração eleva qualquer profissional ao patamar definitivo da história da modalidade.







