Acervo · Copa do Mundo
Messi x Mbappé: o último tango em Paris
A final da Copa oporá a maravilhosa habilidade do veterano argentino à juventude incontida do espetacular francês. O vencedor: o futebol

Por alguns segundos, o tempo de uma eternidade, a torcida alviceleste nas arquibancadas do Estádio Lusail pareceu interromper o canto mais ouvido no deserto do Catar nos últimos trinta dias — “En Argentina nací, tierra de Diego y Lionel, de los pibes de Malvinas que jamás olvidaré” — para acompanhar um instante aparentemente banal, mas imenso, da semifinal contra a Croácia. Era um escanteio para os argentinos. O meia Rodrigo de Paul pegou a bola e lentamente estendeu o braço para entregá-la a Messi, que se aproximava ainda mais vagarosamente, quase displicente. Foi como se De Paul dissesse: “É tua”. Sim, é dele. A Copa de 2022 foi sequestrada pelo gênio canhoto de 35 anos, moldado pelo passar dos anos, em seu quinto Mundial — um craque que soube trocar a agilidade pela inteligência, o esforço máximo pelo mínimo possível, a passada larga pelo caminhar miúdo, quase tímido.
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