Carlo Ancelotti, 66, narra em seu livro Liderança tranquila (Editora Grande Área, 2018) a importância de aprender idiomas durante cada uma de suas experiências longe da Itália. “É vital que [eu e os jogadores] falemos, literalmente, a mesma língua”, diz na obra o treinador que conquistou 32 títulos como técnico de Juventus, Milan, Real Madrid, Chelsea, Bayern de Munique e PSG, e outros tantos como atleta da Roma e do Milan.

Em julho, cerca de um mês após assumir a seleção brasileira, ele já havia contratado um professor brasileiro para uma rápida imersão na língua portuguesa. A evolução foi tão notória a ponto de Carletto ter gastado saliva para justificar uma nova ausência de Neymar com estilo: “Se quer explicações, pode me ligar”.

A lenda do futebol nascida em Reggiolo, na região da Emília-Romanha, precisou de apenas seis meses, oito jogos e quatro convocações à frente do país para mostrar por que domina, principalmente, toda forma de linguagem da liderança.

O pouco tempo de trabalho ainda não contempla nenhum resultado que salte aos olhos, mas já foi suficiente para uma mudança comportamental completa de uma seleção que acumulava fiascos desde a Copa do Catar – o pior deles a derrota por 4 a 1 para a Argentina, em 25 de março, que levou à demissão de seu antecessor, Dorival Júnior.

Hoje, já se leem manchetes exaltando a canarinho em jornais pela Europa. “Devolveu o sorriso ao Brasil”, registrou o espanhol Marca após a vitória por 3 a 0 contra o Chile, em setembro. “Ancelotti desperta um monstro”, comentou o As, em novembro, depois do novo triunfo sobre Senegal. “Estou convencido de que, se o Brasil defender bem, pode ganhar a Copa do Mundo”, afirma Ancelotti à PLACAR, em entrevista exclusiva na sede da CBF, no Rio, na qual intercalou sorrisos simpáticos e sua famosa erguida na sobrancelha esquerda.

Em outra obra, Preferisco la Coppa (“Prefiro a Copa”, Editora Rizzoli, 2009), Carletto, que um ano antes de virar treinador da Reggiana foi auxiliar de Arrigo Sacchi no Mundial de 1994 em que a Itália perdeu o tetra para o Brasil, já projetava um dia treinar uma seleção: a Azzurra ou, curiosamente, um país africano. A amarelinha não estava no radar. “Sinto que a seleção brasileira é um ambiente diferente de qualquer outro clube em que trabalhei”, resume.