O futebol feminino vive um momento importante, a menos de um ano do início da Copa do Mundo no Brasil. Será a coroação da modalidade que chegou a ser proibida por quatro décadas no país. Dentre as pioneiras, quem mais marcou época foi Sisleide do Amor Lima, a Sissi, antecessora de Marta como camisa 10 de talento raro na perna esquerda.

Nascida em Esplanada (BA) em 2 de junho de 1967, Sissi começou a jogar aos 7 anos, nas ruas de sua terra natal, quando o futebol feminino ainda era proibido por lei no Brasil (o que durou até 1981). A goleadora canhota passou por clubes como Flamengo de Feira e o Bahia antes de tentar a sorte na região sudeste, onde fez sua primeira aparição nas páginas de PLACAR.

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Na edição de 28/4/1989, Sissi apareceu, ainda com cabelos encaracolados, entre as colegas de Corinthians. Foi na equipe alvinegra que a meia-atacante, então ainda chamada de Sisleide, adquiriu entrosamento com Michael Jackson e Roseli, com quem faria história na seleção feminina.

Sissi integrou a primeiríssima convocação oficial organizada pela CBF, em 1988, para o Torneio Experimental da Fifa na China. Seu auge seria mais de uma década depois, já com seu cabelo raspado (uma homenagem a uma criança que tinha câncer) e camisa 10 às costas, na Copa do Mundo de 1999. A estrela baiana foi artilheira geral com 7 gols e destaque do Brasil na campanha da medalha de bronze. Seu lance mais icônico foi o “gol de ouro” de falta contra a Nigéria nas quartas de final.

Sissi vestiu a camisa de diversos clubes brasileiros, como São Paulo, Palmeiras e Vasco. No Cruzmaltino, no ano 2000, chegou a treinar com uma revelação que seria sua sucessora: a rainha Marta, então com 14 anos.

Na edição de 10 de abril de 2001, PLACAR destacou que Sissi e mais três brasileiras, Kátia Cilene, Pretinha e Roseli, participaram do pontapé inicial da primeira liga de futebol feminino profissional, a Women’s United Soccer Association (Wusa), dos EUA. A estrela de cabelos raspados era a camisa 10 do Bay Area Cyberrays.

Sissi ainda passaria por California Storm e FC Gold Pride, antes de encerrar sua carreira profissional em 2009. Ela segue vivendo nos Estados Unidos, onde trabalha como treinadora de futebol para meninas.

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