O futebol brasileiro tem ampliado, ainda que de forma gradual, a presença feminina em cargos de liderança e gestão. Em clubes, empresas e projetos ligados ao esporte, mulheres vêm ocupando posições estratégicas e contribuindo para transformar a cultura de um setor historicamente dominado por homens.
No Dia Internacional da Mulher, executivas e gestoras que atuam nos bastidores do futebol refletem sobre suas trajetórias, os desafios da carreira e os caminhos para ampliar a participação feminina no esporte.
De iniciativas sociais a estratégias de marketing, passando por inovação e tecnologia, essas profissionais ajudam a ampliar o papel do futebol na sociedade e a aproximar o esporte de pautas como diversidade, inclusão e responsabilidade social.
Com diferentes experiências e áreas de atuação, elas mostram que o futebol vai além das quatro linhas, e que a presença feminina tem sido fundamental para impulsionar mudanças dentro e fora dos clubes.
No Sul do país, o Sport Club Internacional vem se destacando por ampliar o papel social do futebol para além das quatro linhas. À frente da Diretoria Feminina e de Inclusão, Tamarisa Lopes tem liderado iniciativas que conectam o clube a pautas urgentes da sociedade, como o combate à violência contra a mulher e a promoção da igualdade de gênero. Entre as ações de maior repercussão estão a campanha “Feminicídio Zero”, com a instalação do Banco Vermelho no Beira-Rio, encontros ligados ao movimento HeForShe.
“Quando falamos do Internacional, falamos de uma instituição centenária com enorme capacidade de mobilização social. O futebol é uma ferramenta poderosa de transformação, e precisamos utilizá-lo para promover respeito, igualdade e conscientização. O combate à violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva. Cada campanha, cada evento e cada espaço criado é um passo para tornar o clube e a sociedade mais justos. Nosso compromisso é seguir ampliando vozes, construindo oportunidades e mostrando que o futebol é, e deve ser, para todos”.
No Santos, clube historicamente ligado ao desenvolvimento do futebol feminino no país, Thais Picarte está à frente de um projeto de reconstrução da categoria no clube. Com foco em planejamento esportivo, fortalecimento da base e integração com a filosofia do clube, a equipe está de volta à primeira divisão e projeta uma campanha competitiva em um campeonato cada vez mais equilibrado.
“Quando eu era atleta, quase não víamos mulheres ocupando posições de liderança no futebol, então faltavam referências de caminhos possíveis depois da carreira dentro de campo. Hoje vivemos um momento de mudança e é muito importante que as ex-atletas se preparem para ocupar esses espaços. Quem viveu o futebol por dentro traz uma visão valiosa para a gestão e pode contribuir diretamente para o desenvolvimento do esporte”.
Em Ribeirão Preto, o Botafogo-SP vem fortalecendo sua conexão com a torcida e ampliando a presença feminina em sua estrutura, movimento que passa diretamente pelo trabalho de Laura Louzada. À frente da Gerência de Marketing do clube há 10 anos, ela lidera estratégias de posicionamento de marca, campanhas institucionais e ações digitais que acompanham um cenário de transformação interna: hoje, quase 50% do quadro de colaboradores é composto por mulheres, número que ultrapassa 70% no setor administrativo. Entre as torcedoras, a participação também cresce, representando cerca de 15% no programa de sócio-torcedor e chegando a 30% de engajamento nas redes sociais do clube.
“A presença feminina no futebol é cada vez mais consistente e natural. Ainda temos muito espaço para crescer, mas é importante reconhecer essa evolução no mercado do futebol, dentro do clube e também entre as nossas torcedoras, que participam, consomem e se identificam com o Botafogo-SP”, destaca Laura Louzada, Gerente de Marketing do Botafogo-SP.
A Ana Gaming, que é um dos grupos mais consolidados no setor de apostas esportivas do Brasil e holding das casas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet, conta com importantes lideranças femininas na companhia, como Tagiane Gomide, Diretora Jurídica e Integridade, e Juliana Gavineli, Chief Financial Officer (CFO). As profissionais são algumas das poucas mulheres a ocuparem cargos executivos dentro de empresas deste porte no segmento de betting.
“A participação feminina tem aumentado de maneira relevante em diversas áreas ligadas ao esporte. É importante que esse movimento ocorra ainda mais dentro do segmento de betting”, afirma Tagiane Gomide. Além disso, Juliana Gavineli conta que “a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são prioridades dentro da Ana Gaming. Valorizar, reconhecer, respeitar e premiar as conquistas femininas são questões que entendemos como um dever”, destaca.







