O Remo provou que no futebol a superação pode equilibrar a balança contra o favoritismo. Na tarde deste domingo (10), em um Mangueirão castigado pelas fortes chuvas, a equipe paraense segurou um heroico empate por 1 a 1 contra o líder Palmeiras, em duelo válido pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto teve de tudo: atraso de quase duas horas, gols no primeiro tempo, expulsão na etapa final e um gol palmeirense anulado pelo VAR nos acréscimos, garantindo um ponto de ouro para os donos da casa na luta contra o rebaixamento.

Início elétrico após o temporal

A partida demorou a engrenar fora de campo, com um atraso de mais de uma hora e meia devido à forte chuva que alagou o gramado em Belém. No entanto, quando a bola finalmente rolou, o ímpeto foi imediato. Logo aos dois minutos, aproveitando um cochilo da marcação paulista após passe de Yago Pikachu, Alef Manga dominou na frente da área e bateu no canto de Carlos Miguel, abrindo o placar para os donos da casa. O susto acordou o líder do campeonato. O Palmeiras passou a girar a bola e empurrar o adversário para seu campo de defesa, acumulando escanteios. A pressão surtiu efeito aos 23 minutos: após uma saída de bola errada do Remo, Allan interceptou e encontrou Sosa. Com a defesa desorganizada, o atacante chutou cruzado, contou com um desvio e igualou o marcador.

Trave, tensão e cartão vermelho

A volta do intervalo mostrou um Remo disposto a não se acuar. Logo no primeiro minuto, Patrick exigiu grande defesa de Carlos Miguel e, na sequência, Marcelinho carimbou o travessão alviverde após cruzamento de Mayk. O jogo tornou-se uma batalha tática e física, com o Palmeiras tentando impor sua superioridade técnica e o Remo respondendo em transições rápidas. O roteiro da partida sofreu uma reviravolta drástica aos 28 minutos. Zé Ricardo cometeu falta dura por trás em Andreas Pereira. Após revisão no monitor do VAR, o árbitro Rafael Klein aplicou o cartão vermelho direto, deixando a equipe paraense com um homem a menos e inflamando os protestos da torcida local.

Pressão alviverde e o drama do VAR

Com a vantagem numérica, o auxiliar João Martins lançou o Palmeiras ao ataque, promovendo entradas de jogadores como Bruno Fuchs, Lucas Evangelista e Maurício. O Remo compactou suas linhas, transformando a entrada da área em um verdadeiro muro. O drama atingiu seu ápice nos acréscimos. Aos 50 minutos, Bruno Fuchs balançou as redes, o que parecia ser o gol da vitória paulista. Contudo, a arbitragem de vídeo interveio novamente. Após longa análise, foi constatado um toque no braço de Flaco López na origem da jogada, anulando o tento e garantindo a explosão de alívio nas arquibancadas do Mangueirão.

Com o apito final, o resultado de 1 a 1 reflete cenários distintos. O Palmeiras chega aos 34 pontos e mantém a liderança, mas vê a possibilidade de o Flamengo encurtar a distância para apenas três pontos. Já o Remo, apesar de permanecer na penúltima colocação, agora com 12 pontos, ganha uma injeção de moral imensurável ao resistir bravamente contra o melhor time da competição, mostrando que tem forças para lutar contra a degola.