Quem já assistiu a um jogo de futebol do Congo viu em algum momento a transmissão da partida filmando um torcedor parado, vestido com as cores da bandeira do país e com o a mão apontada para cima. Michel Kuka Mboladinga fica imóvel durante toda a partida e homenageia um herói nacional com sua pose.

Por conta de restrições à epidemia de ebola, o torcedor não chegou a tempo da partida contra Portugal, nesta quarta-feira, 17, às 14h (de Brasília), mas deve aparecer nos jogos seguintes. Conheça a história por trás da homenagem de Mboladinga, que promete ser um dos torcedores mais icônicos da Copa do Mundo 2026.

Homenagem a herói independentista

A pose do torcedor reproduz a imagem do líder da independência da República Democrática do Congo, Patrice Lumumba, também considerado um dos principais nomes da luta anticolonialista na África.

O Congo viveu um dos períodos coloniais mais violentos da história, com a estimativa de mais de 10 milhões de mortes de congoleses, entre os séculos XIX e XX. Sob o controle da Bélgica, a nação foi palco de trabalho forçado e exploração da população local para extração de recursos naturais. Era comum que as forças belgas decepacem a mão ou o braço dos nativos, caso eles não atingissem as cotas de trabalho.

Forjado nesse conteto surgiu a figura de Lumumba, nos anos 1940, que fundou o Movimento Nacional Congolês (MNC) e se tornou a principal voz da independência do país. Em 1960, o Congo conquistou a sua independência e o líder se tornou Primeiro-Ministro do país.

No entanto, o governo de Lumumba durou poucos meses. Em meio à Guerra Fria, o líder era visto com descofiança por potências ocidentais e foi deposto em um golpe liderado pelo coronel Joseph Mobutu, que comandou o país como ditador nas três décadas seguintes. Investigações posteriores indicam que houve um envolvimento de autoridades belgas e da CIA na conspiração.

Após ser deposto, Lumumba foi executado em 1961. O corpo do líder foi dissolvido em ácido, para evitar que seu túmulo se tornasse um local de peregrinação política. O assassinato transformou o congolês em herói, sendo reverenciado como um símbolo da luta anti-colonialismo na África.