Se quem é rei nunca perde a majestade, um livro sobre Pelé precisa ser transcendente tal qual a história do biografado. Paulo Vinícius Coelho, o PVC, jornalista com enorme contribuição às páginas de PLACAR, sabe disso e confere caráter inédito entre as obras já lançadas sobre o Atleta do Século. Rei — O livro sobre o homem incomparável a quem tentam se comparar há 70 anos conta histórias de Pelé, as boas e as ruins, e analisa os desafiantes à coroa dentro dos campos.
Edson Arantes do Nascimento, que morreu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos, passou mais de seis décadas ouvindo comparações. “Di Stéfano pode ter sido melhor, Eusébio pode ter sido mais rápido, Cruyff mais cerebral, Maradona mais carismático, Messi e Cristiano Ronaldo terem mais gols em partidas oficiais” são algumas. O curioso dessa história é que, ao longo de todos os anos, o ponto de referência é sempre o mesmo: Pelé.
PVC, com a classe de quem cobriu sete Copas do Mundo e nove finais de Champions League, enumera no lançamento da editora Planeta os méritos de cada uma das estrelas do futebol, sem nunca se esquecer daquele com quem teve a oportunidade de fazer uma matéria especial para PLACAR. Pelé e o jovem repórter foram à Vila Belmiro procurar no meio de quinquilharias, sem nenhuma pompa, onde estavam as taças do Mundiais de 1962 e 1963.
“Marcamos às 17 horas. Pelé chegou na hora marcada, rigorosamente em ponto. Desceu da sua Mercedes-Benz e disse algo a seu motorista, como talvez o tempo que pretendia demorar no campo. Cumprimentou a equipe da revista, o repórter-fotográfico Nelson Coelho e eu […]. Passamos uma hora dentro de um cubículo, a sala de troféus mal guardados da Vila Belmiro. Nada de encontrar a taça perdida. O Santos, anos depois, pediu emprestado ao São Paulo o troféu conquistado no Japão, fez a réplica e a expõe até hoje no Memorial das Conquistas. Saí daquele episódio impressionado com a tranquilidade, simplicidade e humildade do Rei”, escreve PVC. Pelé, à reportagem de outubro de 1992, se mostrou irritado. “Confesso que estou surpreso.”
Rei ainda repassa curiosidades da infância do homem de Três Corações (MG), batizado Edison, grafado com “i”, os apelidos Dico e Bilé, até virar Pelé. Conta a história de como nasceram a mística da camisa 10, as guerras no continente africano, os mil gols, as namoradas e mesmo o caso de Sandra Regina, filha que lutou na Justiça para ser reconhecida e morreu anos depois sem nenhum contato com o pai.




