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O futebol piorou e o racismo triplicou

Na década de 60, também fui vítima de racismo no Sul. Se tivesse me revoltado, talvez meu destino fosse o mesmo de João Alberto Silveira Freitas

Por Paulo Cezar Caju3 min de leitura
Paulo Cézar Caju, jogador do Botafogo, em 1978
Paulo Cézar Caju, jogador do Botafogo, em 1978RODOLPHO MACHADO

Na década de 60, em uma excursão pelo Sul, com o time do Botafogo, me deparei com um cartaz na porta do restaurante em que íamos almoçar: É PROIBIDA A ENTRADA DE NEGROS. Claro que até hoje essa mensagem retorna à minha mente, volta a me atormentar. Se eu insistisse em entrar, gritasse com o porteiro, talvez tivesse o mesmo cruel destino de João Alberto Silveira Freitas, assassinado há alguns dias por seguranças do Carrefour, também no Sul do país. O que mudou de lá para cá? O futebol piorou e o racismo triplicou.

O americano George Floyd foi assassinado em maio desse ano e o mundo se mobilizou. Manifestações, discursos, planos de marketing, palanques e muitas camisas com a inscrição VIDAS NEGRAS IMPORTAM inundaram as ruas. Camisetas com o design bonito, cores chamativas, o velho e bom oportunismo de sempre. Aí vendem adesivos, plásticos para carros, canecas, uma farra.…

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