A 4ª temporada de Ted Lasso registrou a estreia mais assistida na história do Apple TV, acumulando 296,6 milhões de minutos assistidos em seus dois primeiros dias após o lançamento, no último dia 5. Somente no dia da estreia, foram 200 milhões de minutos assistidos, superando o recorde anterior da própria série, que pertencia à 3ª temporada (215,1 milhões de minutos). Segundo a Nielsen, a série ultrapassou a audiência de outras produções de destaque do serviço, como Ruptura (Severance) e Pluribus.
Além disso, a medição revelou um perfil demográfico altamente valioso para patrocinadores, composto por dois terços de espectadoras mulheres, atraindo um público historicamente menos engajado com transmissões esportivas tradicionais, o que deve potencializar ainda mais a audiência da 4a temporada.
“O futebol feminino vive um momento de transformação que vai muito além das quatro linhas. Estamos falando de uma mudança cultural. Quando uma produção global do tamanho de Ted Lasso escolhe a modalidade como tema de sua nova temporada, isso evidencia a relevância e o alcance do ecossistema que vem sendo construído ao redor dela”, afirma Mônica Esperidião, CSO da FSports, agência que detém os direitos de comercialização do futebol feminino da CBF no ciclo 2025–2029. “Esse tipo de produção colabora para que a modalidade alcance novas audiências e gere mais interesse das pessoas sobre o tema, ajudando a mover o ponteiro do enorme potencial de negócio que o futebol feminino tem”, acrescenta.
“Hoje, o futebol feminino já acompanha modalidades como futebol americano e basquete em mercados mais estruturados e não é apenas uma promessa, mas sim uma realidade que gera retorno significativo para toda a indústria esportiva, com um potencial de crescimento ainda maior para os próximos anos”, afirma Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em patrocínios e ativações de marketing esportivo, responsável pela intermediação de quatro novas marcas para o futebol feminino da CBF (Uber, Hyundai, Amazon e Itambé).
Impacto comercial nos negócios do esporte
A jornada do AFC Richmond saiu apenas do campo da ficção e se converteu em um motor financeiro real, demonstrando aos clubes e ligas profissionais como potencializar suas receitas. A fabricante Nike, por exemplo, desenvolveu e comercializou uniformes oficiais e agasalhos reais do clube, esgotando estoques globais e provando que o torcedor moderno consome a narrativa tanto quanto consome o esporte real.
“O crescimento da visibilidade do futebol feminino já se reflete diretamente na consolidação dos patrocínios, reforçando a maturidade comercial da modalidade, sua independência como produto e o potencial de um nicho de torcedores cada vez mais relevante para o mercado”, diz Danielle Vilhena, Diretora de Operações e Projetos de Marcas da Agência End to End.
Já a franquia de jogos digitais FIFA (atual EA Sports FC) incluiu o time e o treinador Ted Lasso em seu simulador oficial, conectando diretamente milhões de jogadores jovens à marca da série.
Por sua vez, a plataforma Airbnb promoveu estadias exclusivas no pub oficial que serve de cenário para a torcida na Inglaterra, demonstrando a força do turismo de experiência derivado do entretenimento esportivo.
“Quando uma série global como Ted Lasso coloca o futebol feminino no centro da narrativa, ela ajuda a ampliar o alcance da modalidade para públicos que muitas vezes não acompanham o esporte no dia a dia. Esse movimento reforça uma tendência que já vemos no mercado: o futebol feminino está crescendo em relevância, audiência e receita. O desafio dos clubes é aproveitar esse momento para consolidar investimentos, fortalecer estruturas e garantir que esse crescimento seja duradouro”, comenta Renata Armiliato, gerente de futebol feminino do Internacional.
Embalada pelo sucesso da produção, a Apple selou uma parceria histórica de US$ 2,5 bilhões por 10 anos com a Major League Soccer (MLS), triplicando os valores do contrato anterior de transmissão da liga americana de futebol.
“Até a Copa do Mundo veremos muito mais crescimento para o esporte feminino como um todo. Tenho acompanhado esse expansão na prática, ou seja, através da movimentação de negócios, de novos eventos, do interesse dos veículos de mídia, bem como do crescimento da audiência e negociação de novos contratos e de atletas cada vez mais altas para outros países”, explica Fábio Wolff, membro do comitê organizador do Brasil Ladies Cup, torneio de futebol feminino que vai chegar à 7a edição em 2027.
Empresas de tecnologia voltadas ao desenvolvimento esportivo também enxergam no torneio uma oportunidade para ampliar o acesso ao futebol feminino. É o caso de CUJU, aplicativo criado na Alemanha que utiliza inteligência artificial para avaliar atletas por meio de exercícios realizados com o smartphone, auxiliando clubes, treinadores e observadores na identificação de talentos em diferentes regiões do país e do mundo. Entre as atletas que utilizam a plataforma está Judy Lucciola, que já foi convocada para a Seleção Brasileira Sub-15 e atua nas categorias de base do Criciúma.
“A realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil representa uma oportunidade única para acelerar o desenvolvimento da modalidade em todas as regiões do país. Grandes eventos inspiram meninas a sonharem com uma carreira no futebol, mas é fundamental que existam ferramentas capazes de identificar e desenvolver esses talentos. Com o CUJU, acreditamos que a tecnologia pode ajudar a democratizar o acesso às oportunidades, permitindo que jovens atletas sejam avaliadas independentemente de onde vivem ou da estrutura disponível em suas cidades”, afirma Thaiany Klarmann, diretora de marketing de CUJU.
Mais do que as questões comerciais, ao transformar táticas de jogo em lições de empatia e saúde mental, o seriado redesenhou a receita do marketing contemporâneo: para expandir os negócios no esporte atual, é preciso primeiro capturar o coração do espectador através de histórias reais e que engajam o público.
“A série sempre utilizou o esporte como ferramenta para discutir empatia, liderança e desenvolvimento humano, e direcionar agora seus holofotes para os desafios de uma equipe feminina reflete exatamente a transição que vemos no mercado atual: marcas, veículos de mídia e torcedores reconhecendo cada vez mais o futebol feminino como uma plataforma de impacto cultural, engajamento e oportunidades de negócio”, conclui Mônica Esperidião, CSO da FSports.
Para Camila Estefano, gerente geral do Estrelas, programa social de futebol feminino que está na sua quarta temporada e oferece auxílio médico, odontológico, nutricional, entre outros serviços, para 120 meninas todos os anos, a escolha do futebol feminino como tema da nova temporada de Ted Lasso é um marco para a modalidade.
“Eu sou apaixonada por Ted Lasso porque a série sempre conseguiu falar de futebol a partir das pessoas, das relações e de tudo o que existe além do resultado dentro de campo. Colocar agora uma equipe feminina no centro dessa narrativa é um golaço. Significa apresentar o futebol feminino para milhões de pessoas por meio de uma série que já tem enorme alcance e uma capacidade muito especial de criar identificação com o público. Quando uma produção desse tamanho coloca as mulheres no centro do jogo, ela não apenas acompanha o crescimento da modalidade, mas amplia o imaginário sobre o espaço que meninas e mulheres podem ocupar no futebol”, comenta.
Futebol Feminino cresce em números e se prepara para a chegada da Copa do Mundo
No Brasil, o futebol feminino vive seu momento de maior visibilidade. Perto de sediar a primeira Copa do Mundo de Seleções, em meados de 2027, caminha para viver o auge da maturidade econômica e se tornar a primeira edição da história a gerar lucro financeiro, independentemente de contratos do torneio masculino. A projeção inédita da chefe de futebol da Fifa, Jill Ellis, reforça a evolução da modalidade e o enorme potencial comercial que o país oferece ao mercado esportivo.
A entidade prevê um aporte estrutural de US$ 800 milhões para a realização do evento em solo brasileiro e garante que o volume total de arrecadação irá superar este montante, gerando receitas capazes de cobrir integralmente os custos logísticos e estruturais, pavimentando um legado financeiro para as próximas gerações e consolidando o Brasil como um hub de negócios para o futebol feminino na América Latina.
“O crescimento do futebol feminino está diretamente ligado à diversificação do público que consome o esporte. Estruturar uma frente dedicada a essa cobertura é um passo natural para o Flashscore, que quer ir além do placar e contribuir para a construção de narrativas, bastidores e conteúdos que aproximem o torcedor da modalidade”, afirma Alexandre Vasconcellos, Diretor Regional do Flashscore no Brasil.
De olho nesse movimento, o Flashscore vem ampliando sua atuação no futebol feminino no Brasil por meio da produção de conteúdos exclusivos, como entrevistas, mini documentários e materiais multimídia, além de parcerias com nomes relevantes da modalidade, como a ex-jogadora Francielle e a narradora Elaine Trevisan. A iniciativa acompanha uma mudança no comportamento dos torcedores, que buscam cada vez mais contexto, histórias e identificação com os personagens do esporte, e não apenas resultados em tempo real.


