A velha máxima do futebol “quem não faz, toma” foi cruel na noite desta quinta-feira, 5, em São Januário. Em uma partida de sentido único, em que o Vasco amassou o adversário com mais de 20 finalizações e 14 escanteios, a ineficiência do ataque custou caro. A Chapecoense, que se defendeu durante os 90 minutos, precisou de apenas um chute certo para arrancar um empate heroico por 1 a 1, válido pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro.

Domínio estéril e a trave como inimiga

Desde o apito inicial, o roteiro do jogo ficou claro: ataque contra defesa. O time comandado por Fernando Diniz encurralou os visitantes, chegando a ter quase 80% de posse de bola em momentos da primeira etapa. Coutinho, o maestro do meio-campo, ditou o ritmo e foi o protagonista das principais ações ofensivas, mas parou na falta de pontaria e no goleiro Léo Vieira.

A pressão vascaína resultou em um bombardeio aéreo e chutes de fora da área. O momento de maior frustração no primeiro tempo ocorreu nos acréscimos. Em uma cobrança de falta magistral, Coutinho superou a barreira, mas a bola caprichosamente explodiu no pé da trave, mantendo o zero no placar e aumentando a ansiedade da torcida na Colina.

Alívio momentâneo e o festival de gols perdidos

A insistência do Vasco finalmente deu resultado no início do segundo tempo. Aos 9 minutos, Andrés Goméz fez boa jogada pela esquerda e cruzou com veneno. A defesa da Chapecoense hesitou e Puma Rodríguez apareceu livre na segunda trave para estufar as redes e tirar o grito de gol da garganta do torcedor.

Com a vantagem, esperava-se que o Vasco matasse o jogo, mas o que se viu foi uma sequência inacreditável de oportunidades desperdiçadas. Brenner e Coutinho protagonizaram um lance surreal aos 14 minutos: a bola bateu na trave, na zaga em cima da linha e teimou em não entrar. O volume ofensivo era avassalador — o placar de finalizações chegou a apontar 20 a 1 para os donos da casa — mas a falta de contundência para ampliar o marcador manteve a Chapecoense viva.

O castigo no apagar das luzes

Enquanto o Vasco empilhava escanteios (14 a 0 no total) e controlava o jogo, a Chapecoense aguardava por uma única bola. E ela veio aos 45 minutos do segundo tempo. Em uma falta na entrada da área, Jean Carlos cobrou com perfeição, acertando o ângulo direito de Léo Jardim. Foi o primeiro e único chute da Chape no alvo em toda a partida.

O gol caiu como um balde de água gelada em São Januário. Nos acréscimos, o Vasco ainda tentou o desempate no desespero, mas David cabeceou em cima do goleiro. O empate tem sabor de derrota para o Cruzmaltino, que soma apenas um ponto em dois jogos. Já a Chapecoense celebra um ponto precioso conquistado na base da resiliência e da eficiência cirúrgica.