Emissora desafia a Globo pelos direitos de transmissão em TV fechada e seduz clubes com “modelo inglês”, jogos mais cedo e valorização das marcas
O canal Esporte Interativo, novo concorrente da Rede Globo pela transmissões do futebol nacional, anunciou nesta terça-feira, em evento no Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, o acerto com mais cinco clubes para a transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro entre 2019 e 2024 em TV fechada: Criciúma, Fortaleza, Paraná, Ponte Preta e Santa Cruz se uniram aos nove clubes que já estavam confirmados. A emissora que pertence ao grupo americano Turner agora negocia com o Palmeiras, único grande de São Paulo que segue sem acordo.
Os novos parceiros do Esporte Interativo se uniram a Atlético-PR, Bahia, Ceará, Coritiba, Internacional, Joinville, Paysandu, Sampaio Corrêa e Santos, totalizando 14 clubes. Há ainda uma confusão envolvendo o Santa Cruz. O clube pernambucano fechou um pré-contrato com a Globo e o Esporte Interativo e a briga deve acabar na Justiça. O presidente do clube pernambucano, Alírio Moraes, reclama que o acordo selado com o Esporte Interativo não é justo, já que clubes com potencial parecido vão receber muito mais. Os números não são divulgados, mas o Santa Cruz receberia algo em torno de 3 milhões de reais enquanto o Bahia ficará com 40 milhões de reais.
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O Esporte Interativo, no entanto, usa como principal trunfo justamente uma distribuição mais homogênea das verbas – mas entre os clubes da série A. O presidente do Esporte Interativo, Edgar Diniz, revelou no Museu do Futebol que o investimento da emissora chegará a 550 milhões de reais por ano, valor que será dividido entre os clubes da primeira divisão.
O EI (não confundir com Estado Islâmico) adotará o chamado “modelo inglês”: os clubes serão remunerados com 50% em valor fixo, 25% pelo desempenho no campeonato e 25% pela audiência que proporcionar. A proposta agradou diversos clubes que costumam apontar uma tendência a “espanholização” do futebol brasileiro, devido à discrepância entre as quantias pagas pela Globo a Flamengo e Corinthians, os clubes mais populares, e os rivais.
O Palmeiras, único grande de São Paulo ainda sem parceiro, foi procurado pelo Esporte Interativo, mas ainda não definiu com qual TV fechará. Existe a possibilidade da definição acontecer só no fim do ano, ao fim do mandato do presidente Paulo Nobre. A má relação da torcida palmeirense com a Rede Globo pode ser um fator decisivo nas negociações.
Concorrência – Fundada em 2007 como um canal UHF exclusivo do Rio de Janeiro, o Esporte Interativo cresceu de forma assustadora depois que a conglomerado de mídia americano Turner Broadcasting System se tornou seu sócio majoritário, em 2013. No ano passado, o EI adquiriu os direitos de transmissão da Liga dos Campeões da Europa e conseguiu entrar na grade das principais operadoras de TV a cabo do país depois de longa disputa.
Além de se tornar uma grande rival das emissoras especializadas Fox Sports e ESPN Brasil, o Esporte Interativo se aproveitou do grande investimento que recebeu e decidiu desafiar a Globo, que detém a exclusividade do Campeonato Brasileiro em TV fechada em seu braço esportivo, o SporTV, há quase duas décadas. As duas emissoras vêm travando uma batalha nos bastidores para atrair os principais clubes do país.
A Globosat (SporTV) já acertou com São Paulo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, América-MG, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Sport, Chapecoense, Avaí, Náutico, Vitória, Goiás e Londrina. A Globo seguirá transmitindo o Brasileirão em TV aberta (atualmente divide os direitos com a Band) e deverá negociar com os clubes que fecharam contrato com o Esporte Interativo de maneira separada.
Além da questão econômica – o EI alega que alguns clubes poderão receber até nove vezes mais do que ganhariam da Globosat -, a emissora emergente seduz os clubes com outras propostas: garante que os jogos transmitidos pelo canal no meio de semana começarão mais cedo, para facilitar a vida dos torcedores que precisam acordar cedo no dia seguinte, e também promete citar o nome das marcas donas de clubes ou estádios – em clara resposta à Globo que chama o Red Bull de RB Brasil e a Allianz Arena de Arena do Palmeiras, por exemplo.
Até 2019 serão feitas muitas negociações, mas caso Globosat e Turner não entre em acordo, a transmissão do Brasileiro em TV fechada pode ficar caótica: apenas os jogos entre equipes que assinaram com o SporTV seriam transmitidos por este canal, o mesmo valendo para o Esporte Interativo. Partidas entre times que têm contratos com emissoras diferentes ficariam sem transmissão em TV fechada.
(da redação)
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