O aumento da dívida do Palmeiras entre 2023 e 2025, que elevou o valor para a casa de R$ 1,1 bilhã0, mesmo com o clube registrando receitas recorde e superávit elevado, não deve ser lido como sinal automático de problema financeiro. A avaliação é do economista e especialista em finanças do esporte César Grafietti, que explica que endividamento e resultado do ano obedecem lógicas diferentes na contabilidade.
“O importante é entender a dinâmica de como funciona a contabilidade e a análise financeira. Nem sempre o aumento da dívida está relacionado a déficit e a aumento de gastos”, iniciou em entrevista exclusiva ao programa Debate Placar.
O tema ganhou peso depois que o Palmeiras divulgou os números de novembro e passou a ser comparado à realidade de clubes tradicionais com passivos elevados. Grafietti pondera, porém, que o diagnóstico exige olhar a origem da dívida, não apenas o número final.
“No caso do Palmeiras, analisando os números de novembro de 2025 e comparando com dezembro de 2024, que foi o último número fechado, o que dá para observar é o seguinte: o aumento da dívida líquida foi da ordem de 200 milhões de reais (o que explica o salto da casa dos R$ 900 milhões para R$ 1,1 bilhão). Cerca de dois terços dela são do investimento em contratações. Então, é o aumento de valores a pagar a outros clubes. Isso não tem nada a ver com desempenho operacional, com déficit ou com superávit”, explicou.

Leila Pereira e Abel Ferreira, presidente e técnico do Palmeiras – Reprodução
Isso, portanto, é uma dívida associada a investimento no futebol. Ou seja, não está relacionada à cobertura de um rombo no caixa, como explicou Grafietti: “A contratação vira um valor a pagar e, quando você paga esse valor, a dívida some. E, do ponto de vista de resultado (que é o que vai impactar o superávit ou o déficit), o impacto é a amortização desse valor ao longo do tempo.”






