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Diniz assume culpa por derrota do Brasil contra o Uruguai: ‘Não soubemos criar’

Treinador da seleção destaca jogo amarrado na derrota por 2 a 0, em Montevidéu, e falta de criatividade da equipe brasileira: "sou o principal responsável"

No Estádio Centenário, em Montevidéu, o técnico Fernando Diniz concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira, 17, após a derrota do Brasil para o Uruguai. Em partida válida pela 4ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira foi dominada e perdeu por 2 a 0 do time celeste.

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Essa foi apenas a segunda vitória do Uruguai para cima do Brasil na competição: a primeira havia sido na estreia de Felipão no comando técnico, em 2001, por 1 a 0. Ao total, além do revés, a seleção tinha retrospecto de seis triunfos e cinco empates diante da ‘Celeste’.

Após a partida, o técnico fez sua análise do revés e afirmou ser o principal ‘culpado’ pelo revés da seleção.

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“O time, como um todo, não foi bem na parte de criação. O jogo foi muito amarrado, estudado, faltou articulação porque o time não soube construir e o principal responsável sou eu. Não é porque faltou um jogador ou outro. Em momento algum tivemos articulação. No segundo tempo, até um pouquinho mais, chegamos mais pelos lados. Nem conseguimos finalizar no primeiro tempo”, detalhou o treinador.

“O time do Uruguai também pouco criou, o jogo foi amarrado. Eles deram um chute no primeiro tempo, segundo tempo foi quatro a três. Tomamos dois gols de falhas que não podemos cometer. Não foi um bom jogo do Brasil e o responsável maior sou eu”, admitiu Diniz.

Com o resultado, Fernando Diniz perdeu seu primeiro jogo no comando da seleção. A ‘amarelinha’ estaciona nos sete pontos, com campanha de duas vitórias, um empate e um revés. Já o time da casa iguala a pontuação do Brasil, mas pelos critérios de desempate, assume o segundo lugar da tabela de classificação das Eliminatórias — atrás apenas da Argentina.

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O Brasil, agora, só voltará aos campos no próximo mês. No dia 16, em Barranquilla, os comandados de Fernando Diniz visitam a Colômbia às 21h (de Brasília), pela quinta rodada das Eliminatórias. O Uruguai, por sua vez, visita a Argentina no Monumental de Núñez, no mesmo dia e horário.

Análise do jogo

“A gente tem uma certa tendência a fazer análises mais simples para problemas complexos. Com o Neymar, teríamos muita profundidade, chances criadas — e não foi o que aconteceu. Segundo tempo, fomos levemente melhores do que no primeiro. Time, como um todo, não foi bem na parte de criação. Jogo foi muito amarrado, estudado, faltou articulação porque o time não soube construir e o principal responsável sou eu. Não é porque faltou um jogador ou outro. Em momento algum tivemos articulação. No segundo tempo, até um pouquinho mais, chegamos mais pelos lados. Nem conseguimos finalizar no primeiro tempo. Time do Uruguai também pouco criou, jogo amarrado. Eles deram um chute no primeiro tempo, segundo tempo foi quatro a três. Tomamos dois gols de falhas que não podemos cometer. Não foi um bom jogo do Brasil e o responsável maior sou eu.”

Maleabilidade para implementar ideias

“De fato temos a melhor matéria-prima à disposição. Não é que ideias não aconteceram, mas não tivemos agressividade necessária. Uruguai tentou tirar nossa posse, controlamos o jogo, que era uma coisa importante, mas sem profundidade. Faltou arriscar mais, ser mais incisivo, empurrar o Uruguai para trás. Daí teríamos tido mais sucesso. No segundo tempo, melhoramos um pouquinho. Marcação em alta, média foi boa, quase não oferecemos nada ao bom time do Uruguai. Tínhamos que ter mais contundência no primeiro tempo, jogo curto e jogo longo. Essa sensibilidade vamos adquirindo com o tempo, trabalho e características dos jogos. Adversário hoje exigiu mais. Ideias estão sendo implementadas e crescendo com o time. Nenhum trabalho da minha vida ocorre de forma linear. Podemos aprender e melhorar para, na próxima ocasião, ter um time mais acertado. É uma coisa natural que acontece e repito, quando acontece um jogo como o de hoje, com falha na criação, o principal responsável é o treinador. Faltou aquilo que treinamos com ideias, agressividade.”

Impacto da derrota no curto prazo

“O impacto que tem é o que está provocando desde já. Vivo futebol 24 horas por dia, estudo o jogo em profundidade para melhorarmos. Têm coisas que são mais fáceis de enxergar, que vi durante o próprio jogo, e outras dependem de análise. Não tem nada assim, que achar que há algo extremamente negativa. Faz parte do processo. Não queremos que aconteça, fizemos partida ruim, mas acredito que nessas horas os bons times e jogadores melhoram mais. Descemos hoje, temos que saber sofrer e melhorar nesses momentos.”

Possível implementar ideia de jogo com tão pouco tempo de treino?

“Acredito que é possível, jogadores estão abertos a isso. O que aconteceu hoje é uma chance de aprendermos. Já aconteceu com times que trabalhei, o próprio Fluminense. Não é que não vai acontecer. Jogo hoje teve características diferentes, Uruguai dificilmente vai ter um jogo em casa com cinco finalizações. Foi um jogo muito estudado e tínhamos que ter mais agressividade. Tínhamos que ser mais contundentes e agressivos.”

Lições a tirar

“Não dá para ‘departamentalizar’ a análise do jogo. Como um todo, faltamos. Marcação, na maior parte do tempo, esteve bem. Construção, um jogo como hoje pedia mais coletividade e consciência. Estrutura do time não funcionou como um todo.”

Projeção dos próximos jogos

“O que esperamos, com relação a hoje, reconhecer a falta de agressividade. Mas não faltou antes, foram partidas muito diferentes, os quatro jogos. Hoje, vamos procurar corrigir. Fomos, de fato, um time que circulou a bola de maneira muito inocente. Obviamente há a falta de tempo, precisamos enfrentar os adversários e reconhecer, e ir melhorando o time. Não tem mágica. O tempo é curto, mas o tempo que tivermos, vamos apresentar um futebol melhor na próxima convocação.”

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