Finais no México, Dubai, Delray Beach, começo e fim de Vina Del Mar e do Challenger de Brasília, só para mencionar algumas competições. Em face a graves conflitos globais que todos estamos acompanhando, quase que Indian Wells ficaria sem Medvedev, Rublev e Khachanov. Sabalenka, cada vez mais apaixonada pelo nosso açaí, disse “sim” e anda sacando com um anel que pode ser visto até na última fila da arquibancada da quadra principal do Paraíso do Tênis. Tsitsipas andou falando bobagens sobre os torneios da nossa América, pegou mal, se retratou; já foi eliminado precocemente de dois torneios consecutivos e se perder em Miami vai poder pedir música no Fantástico. Sugiro a que compôs para a Paula Badosa. Quem sabe engrena uma carreira musical no terceiro mundo? Marcelo Melo já foi campeão novamente, sendo que em dupla com seu amigo Alexander Zverev. E vejam só: Guto Miguel nem tem mais 16 anos. Tudo isso em apenas quinze dias.

Todos esses acontecimentos e ainda me pego lembrando do Rio Open e refletindo sobre sua importância para a visibilidade do esporte no país. Ele abre portas para novos talentos que estão surgindo no cenário mundial, como já aconteceu com Carlos Alcaraz que venceu aqui sua primeira partida no circuito, ganhou o primeiro título ATP 500 e hoje é o grande campeão que estamos vendo amadurecer e quebrar recordes.

Oportunidade que também foi concedida a tenistas brasileiros. João Fonseca, estreou com 16 anos no torneio, sem vitória, mas no ano seguinte venceu sua primeira partida e chegou às quartas de final. Resultado que repercutiu mundialmente, gerou convites, dois títulos, colocação 24 no ranking e vem muito mais por aí. Igualmente Guto Miguel neste ano, não venceu na estreia, mas sua excelente atuação rendeu um convite para o ATP de Brasília, no qual alcançou a sua primeira vitória na carreira no “circuito dos adultos”, importante mencionar isso, uma vez que ele é do Juvenil. Após o feito, recebeu convite e estará no quali do Miami Open.

O que o tênis nos ensina hoje é abraçar as oportunidades. Se não somos bem-sucedidos de primeira, que não seja por falta de vontade e de entrega. Desta forma, a vida sempre nos oferecerá uma segunda chance e assim sucessivamente. Quando menos esperarmos, estaremos seguindo o caminho certo, que terá curvas, bifurcações, descidas e subidas. É nosso ímpeto, paciência e coragem de escalar que vai nos levar à altura que planejamos e sabemos que podemos ir.

João, com pouca idade, já sabe onde quer chegar e demonstra que não lhe falta coragem. Na segunda rodada do Indian Wells perdeu o primeiro set para o fortíssimo e experiente adversário Karen Khachanov, mas se reergueu, abraçou a oportunidade presente, virou o jogo e saiu vitorioso. No dia seguinte, mal teve tempo de descansar e teve pela frente o americano Tommy Paul. Não se intimidou, e literalmente com dor, dominou o “dono da casa” e está nas oitavas de final. Terá pela frente o rolo compressor Jannik Sinner, favorito absoluto. Geralmente os adversários já chegam em quadra com cara de quem está precisando ir ao banheiro. Vamos ver qual será a postura do nosso intrépido guerreiro. Ele sabe que já chegou longe, mas pode ir além. Se não for desta vez, que não seja porque não tentou. Se avançar, será heróico!