O ex-presidente do São Paulo, Júlio Casares, voltou a ser destaque por causa de supostas irregularidades na gestão financeira do clube. Documentos internos consultados pelo ge revelam que Casares utilizou cerca de R$ 500 mil do cartão corporativo tricolor em despesas pessoais que incluem serviços de cabeleireiro e compras em lojas de grife, valores agora sob investigação e questionados por parte do Conselho Fiscal e de órgãos externos.

Uso do cartão corporativo e devolução dos valores

O uso desse cartão corporativo ocorreu ao longo do mandato de Casares, que presidiu o clube desde o início de 2021 até seu afastamento em 2026. Esses gastos foram contestados internamente e, após pressão do Conselho Fiscal, Casares devolveu o montante ao clube, com correção monetária apenas no segundo semestre de 2025.

O episódio gerou estranheza entre conselheiros e torcedores, porque algumas despesas não possuem clareza sobre vínculo direto com atividades oficiais do clube. A situação tornou-se mais grave diante de um contexto maior de investigações envolvendo movimentações financeiras consideradas atípicas na gestão do dirigente.

Investigações e inquéritos policiais

As suspeitas sobre a administração de Casares no São Paulo resultaram na abertura de um inquérito pelo Ministério Público de São Paulo, que apura possível gestão temerária e irregularidades nas finanças do clube. Esse processo tem como foco o uso de recursos financeiros, movimentações consideradas atípicas e a condução administrativa nos últimos anos, incluindo depósitos e saques em grande quantidade.

Paralelamente, a Polícia Civil também investiga movimentações milionárias ligadas ao ex-presidente, como depósitos em espécie na conta pessoal de Casares, que teriam somado cerca de R$ 1,5 milhão entre 2023 e 2025, valor acima do que sua remuneração como mandatário permitiria justificar com base apenas no salário recebido no clube.

A defesa de Casares afirma que todos os valores têm origem lícita e que as justificativas serão apresentadas no decorrer da investigação, com a devida comprovação documental.

Irregularidades no São Paulo

A crise financeira no São Paulo não se limita apenas aos gastos com cartão corporativo. Relatórios e apurações policiais também contemplam saques em espécie nas contas do clube, que somam milhões de reais em operações ao longo dos últimos quatro anos, e processos que investigam supostas manobras financeiras atípicas.

Além disso, uma força-tarefa integrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil abriu frentes de apuração para supostas cobranças irregulares envolvendo concessionários e uso indevido de espaços do Morumbi, aumentando o escopo das investigações sobre a gestão anterior do clube.

Impeachment e renúncia