Estou aqui em plena sexta-feira 13, após uma noite mal dormida, ansioso, não pela superstição da data, e sim por parecer que esse Rio Open 2026 não chega nunca. É uma ansiedade positiva, permeada pelo sentimento de ser um veterano nessa festa. Saboreei 10 das 11 edições, mas tenho que admitir que minha expectativa é como a de um pai estreante em dia de parto, mestre-sala em sexta-feira, 13, de Carnaval ou criança no dia 23 de dezembro, sem saber o que virá, mas com a certeza de que vai gostar.

Crianças, é sobre elas que viro os holofotes. Independente de classe social, todo adulto lembra de pelo menos um presente de Natal recebido na infância, decolagem da vida, quando as sementes são plantadas.

Há mais de 8 décadas, uma criança em especial, a lenda viva Rod Laver, hoje um senhorzinho de 87 anos, deve ter recebido em sua decolagem, uma raquete e uma bolinha, presentes que o conduziram a uma trajetória brilhante, uma rota de vida campeã magnífica, capaz de levá-lo a ser lembrado para sempre, pois, merecidamente, a principal quadra do Australia Open leva o seu nome. Vou incluí-lo no grupo dos ansiosos de véspera, do primeiro parágrafo.

A cada ano deve bater-lhe a ansiedade pelo começo do torneio, isso porque alguém um dia semeou o tênis em sua vida, essa semente brotou, deu frutos, e todo ano em Melbourne, vemos aquele “garoto velhinho”, repleto de vitalidade, sorrindo, confortavelmente acomodado em local de honra, com a legítima alegria de uma criança.

Que a sementinha do tênis que vem sendo presenteada aos nossos pequenos passageiros, que estão decolando para uma viagem longa, de muitas escalas e turbulências, que para alguns privilegiados por Papai do céu, pode chegar a um século, tal como a lenda citada, seja bastante frutífera. Que daqui a algumas décadas possamos ter na tribuna do Rio Open, alguns meninos e meninas “velhinhos sorridentes”, confortavelmente acomodados e homenageados como campeões de raquetes em pleno “país do futebol”.

E por terem essa visão, mesmo sem conhecê-los pessoalmente, parabenizo a direção do Rio Open, que ao longo de mais de uma década, sempre olhou para as nossas sementes, em iniciativas espetaculares como a criação do NERO (Núcleo Esportivo Rio Open), projeto inclusivo que “presenteia” crianças que seriam excluídas dessa opção, apresentando a elas uma bola pequenina, mas que pode abrir um grande horizonte futuro. É a oportunidade de mudança de rota daquele voo, onde os mais bem sucedidos e felizes poderão alcançar a longevidade no esporte e serem nossas lendas de amanhã.

Viva o tênis, viva o Rio Open!