Ouço o nome do Guto Miguel pelo menos desde a temporada passada, mas confesso que só o conheci esse ano no Australian Open. Ele chegou às quartas de final de Simples e Duplas do torneio juvenil e é o terceiro no Ranking Mundial.
Chamou-me a atenção, no entanto, não sua atuação em quadra, pois até o momento não tinha visto. Foi uma atitude sua em uma entrevista, que me fez parar o que estava fazendo, olhar para a tv e simpatizar com o jovem tenista à primeira vista. Um repórter lhe perguntou se teria dificuldade em lidar com o calor durante a sua partida seguinte, que seria a quarta de final. De pronto ele respondeu algo assim: não, pois eu moro em Brasília e lá faz bastante calor.
Frase sucinta, mas com significado. A princípio pode parecer banal, mas merece uma reflexão. Muitas vezes estamos sendo bem sucedidos em nossas realizações e alguém cruza nosso caminho para mostrar os obstáculos. Não que o entrevistador tenha feito com este propósito. O calor na Austrália estava sendo assunto, vinha chegando aos 45°. No entanto, a pergunta inocente poderia gerar uma dúvida, acompanhada de uma desculpa para o caso de derrota futura, que veio até a acontecer, mas não pelo calor, sim porque ganhou o melhor.
Nós que acompanhamos tênis, que apesar de ser um esporte cortês, vez ou outra nos deparamos com tenistas que ao perderem suas partidas, culpam a quadra, (tá lenta ou rápida demais), o(a) árbitro(a), o calor, o vento, o barulho, o calendário ou até a bola “quadrada”. Sendo que ambos jogam nas mesmas condições, o que perdeu e o que venceu. E estou falando de profissionais e indivíduos adultos. Igualmente acontece na vida, quantas vezes não culpamos o universo por nossos erros ou frustrações?
O Guto, com a maturidade de quem mal saiu da infância, nos ensina também que não se vê dificuldade quando se tem um objetivo e que ninguém, além de nós, é responsável pelas nossas escolhas. Um garoto dando aula aos marmanjos do profissional e a todos nós. Lá vem o tênis de novo como metáfora para a vida.
Então tivemos a grata surpresa de vê-lo estreando no Rio Open. Um menino, porém sempre com postura de homem, jogando de igual para igual com adultos, indo para cima dos adversários com personalidade e dando o seu melhor com o que tinha. Me fez lembrar do ímpeto de coragem que levou Davi a enfrentar o gigante Golias com uma funda e algumas pedrinhas.
Hoje, dia 26/02, Guto completa 17 anos. Torço para que tenha uma linda trajetória, não só de carreira, como de vida. Desejo além dos votos que já são de praxe nos aniversários, que nunca lhe falte simplicidade, que seja Homem forte em suas convicções, que não se deslumbre e que cresça a cada dia, seja GRANDE, mas continue espontâneo e autêntico como o menino da entrevista, não se distanciando jamais de sua essência e princípios.
Feliz aniversário, Guto!




