Aqueles que acompanham a PLACAR desde os primeiros anos, turma com mais de meio século de estrada, podem pensar que vamos tratar aqui do conto João e Maria, dos irmãos Grimm, publicado pela primeira vez no início do século 19, cuja história, em tempos virtuais, foi praticamente esquecida.
Não, estes personagens seculares não serão os protagonistas dessa coluna; vamos falar de uma outra dupla, também lendas, só que de carne osso, diferente da criada pelos Grimm.
Este enredo é real, eles são nossos, desfilaram pela Avenida do Rio Open, brasileiros que assim como os personagens da fábula, ao contrário do que muitos pensam, não tiveram uma vida fácil, tendo nascido no Brasil, lutaram para chegar a um objetivo quase surreal de vida; serem campeões de tênis.
Permitam-nos apresentá-los. A nossa Maria, é Maria Esther Bueno, brasileira, ganhadora de 19 Grand Slams, representou nosso país mundo a fora numa época em que muitos no primeiro mundo pensavam que falávamos espanhol e que girafas, gorilas e elefantes andavam pelas nossas avenidas. Venceu com grandeza, elegância, garra, entregou tudo, anos de vida em prol do esporte que escolheu e amou até os últimos dias de vida. Em 2014 foi com imensa justiça e reconhecimento, a grande homenageada na quadra central da 1ª Edição do Rio Open, escolha altamente feliz, pela qual parabenizamos a direção do torneio, foram as devidas honrarias à nossa Maria, ainda hoje desconhecida por boa parte dos brasileiros.
O outro protagonista é o nosso João, o garoto século 21, carioca, que poderia estar curtindo as praias maravilhosas da cidade como faz a maioria dos jovens de sua idade, “aproveitando mais a vida”, mas desde cedo, assim como a nossa Maria, cismou que ia ser Campeão e assim está sendo. No lugar do conforto, a dedicação quase obsessiva, no lugar da família, a equipe, no lugar da balada, os treinos e dessa forma traçou seu destino. Matar um leão por dia, essa dupla , que nunca jogaram juntos, sequer uma “duplinha mista” por ironia da implacável linha do tempo, eles são a nossa história de João e Maria, brasileiros, gente como a gente, em comum com a fábula alemã, “comeram o pão que o Diabo amassou”, superaram todos os obstáculos e limites, para chegar ao topo.
Que o saibro “mais bronzeado do mundo” seja um lugar de Glória para o João, e que assim como nossa Maria, o nosso João chegue ao Olimpo do tênis mundial. A PLACAR estará aqui para contar essa história de raiz brasileira e da vida real, e que todos sejamos felizes para sempre.
Análises, curiosidades e bastidores do mundo do tênis. Por Alex Braga, apaixonado pelo esporte que acompanha há 20 anos a modalidade com a colaboração de Creusa Pedrotti




