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Placar

A paixão de Luis Fernando Veríssimo por futebol e pelo seu Inter

Morreu neste sábado, aos 88 anos, o genial escritor gaúcho, cujo amor pelo Colorado foi eternizado também nas páginas de PLACAR; relembre

Publicado por: Luiz Felipe Castro em 30/08/2025 às 10:12 - Atualizado em 30/08/2025 às 10:52
A paixão de Luis Fernando Veríssimo por futebol e pelo seu Inter
Luis Fernando Veríssimo, com camisa e pôster do Inter - Edison Vara e JB Scalco /PLACAR

“Eu nunca tinha visto um vermelho assim antes, e nos sessenta anos seguintes nunca o vi da mesma maneira outra vez. Um vermelho só reproduzível na memória. Um vermelho inaugural, inédito, como o de um rio de lava no começo do mundo. E o meu coração se deixou levar.”

Assim definiu o nascimento de seu amor pelo Inter, em trecho do livro Time dos Sonhos: Paixão, Poesia e Futebol (2010), o escritor, cartunista, roteirista e humorista Luis Fernando Veríssimo, que morreu na madrugada deste sábado, 30, em Porto Alegre, aos 88 anos. Ele não resistiu a complicações decorrentes de uma pneumonia, informou o Hospital Moinhos de Vento, onde estava internado desde o dia 11 de agosto.

Dono de um humor afiado e inimitável, publicou mais de 60 livros, incluindo A Mesa Voadora (1982), O Jardim do Diabo (1988) e As Mentiras que os Homens Contam (2000) e criou em suas crônicas personagens históricos, que dialogavam diretamente com a sociedade brasileira da época, como “O analista de Bagé”, de 1981″ e A velhinha de Taubaté”, de 1983.

Iniciou sua carreira e consagrou-se no jornal Zero Hora. Também foi colunista de Folha da Manhã, Estado de S. Paulo, Veja, Playboy, e cobriu quatro Copas do Mundo por O Globo. Tantas vezes também escreveu colunas e concedeu entrevistas para PLACAR (ver mais abaixo). 

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Filho do também escritor Érico Verissimo e de Mafalda Verissimo, nasceu em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936, e passou parte da infância nos Estados Unidos, onde seu pai era professor. Lá, pegou gosto pelo jazz, uma de suas várias manias. Mas nenhuma se comparava ao Inter. Em 2004, Veríssimo lançou o livro Internacional, Autobiografia de uma Paixão, para eternizar sua relação com o Colorado.

Diagnosticado com doença de Parkinson, Veríssimo enfrentou problemas cardíacos nos últimos anos e precisou passar por cirurgia de implante de marca-passo. Em 2021, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que lhe deixou sequelas motoras e de comunicação. Ele deixa a mulher, Lúcia Helena Massa, três filhos, Fernanda, Mariana e Pedro, e dois netos.

Para além do amor pelo Inter, Veríssimo também revelava simpatia pelo Botafogo, como em alguns dos trechos abaixo:

Luis Fernando Verissimo com Divino Fonseca, repórter da revista  – Lemyr Martins/PLACAR

Textos e entrevistas de Veríssimo na PLACAR

Em julho de 1988, aos 51 anos, Veríssimo assumiu o papel de “Velhinha Colorada” – como a Velhinha de Taubaté, que nunca deixava de acreditar no governo brasileiro, confiava em seu Inter, mesmo em uma fase dura, de hegemonia do Grêmio. Mas, questionado sobre o que faltou ao Colorado para ganhar o título gaúcho, foi lacônico: “time”.

A essa altura, já dizia frequentar menos o Beira-Rio. “Não sei se por que fiquei mais comodista ou porque o futebol ficou mais feio. Talvez as duas coisas”.  E disse como seu Analista de Bagé resolveria a crise colorada. “Com a mania de resolver as coisas para seus pacientes na marra, O Analista provavelmente vestiria a camisa 9 por cima das bombachas, se escalaria de centroavante e resolveria de joelhaço.”

Em 1995, declarou seu amor pelo Inter por meio do mau agouro. Escreveu uma coluna dizendo como pretendia secar o rival Grêmio na final do Mundial Interclubes diante do Ajax, da Holanda, em Tóquio. Deu certo, já que a equipe de Amsterdã venceu aquela decisão nos pênaltis.

“Não, não sou Ajax desde criancinha, sou Ajax desde adolescente, quando descobri que na Holanda também se jogava futebol, e não era de tamanco. Simpatizei com aquele clube cujas cores, vermelho e branco, eram iguais às do Internacional”, iniciou o cronista. “Não estarei torcendo pelo Ajax – impensável, o Grêmio é Brasil e não importam as diferenças clubísticas, etc -, estarei torcendo pela minha infância perdida”, completou, com finíssima ironia. O texto ainda termina com um delicioso “Manual do Secador”.

Em outra entrevista à PLACAR, esta de outubro de 1985, Veríssimo  analisou o momento da seleção brasileira e acreditava que Rubens Minelli, histórico treinador do Inter, devia assumir o posto que acabaria voltando para Telê Santana. “Na falta de uma convicção dominante no futebol brasileiro, os conceitos declarados de Minelli me servem (…) Quanto a Telê, acho que ele gosta demais de futebol. Não sei se dá para entender. Acho que o técnico ideal não deve gostar muito de futebol, deve gostar é de derrotar o adversário.”

No papo com o repórter Divino Fonseca, Veríssimo traçou diversos paralelos entre futebol e política, especialmente nos tempos da Ditadura que chegava ao fim. “Não existe essa relação direta entre a seleção e o regime. Infelizmente, porque até do ponto de vista literário seria ótimo se existisse. A seleção de 1970 não era a seleção do Médici, como a de 1986 não será do Sarney, ou a do fantasma do Tancredo.”

Como bom colorado, não perdeu a chance de reclamar da ausência de Falcão na Copa de 1978. “Aquela seleção também era política, feita de olho nas preferências do Rio e de São Paulo. Só por isso se explicaria que Falcão não estivesse nela.”

Nesta recordada entrevista, Veríssimo brincou com a presença de Coritiba e Bangu na final do Brasileirão daquele ano, vencida pelos paranaenses, numa declaração que provocou reclamações nas cartas dos leitores enviadas nas edições seguintes. “Coritiba e Bangu também são filhos de Deus. Mas que, no caso, Deus exagerou na ironia.” E, com a acidez de sempre, analisou outro fenômeno que surgia na época. “Bom, estão ai os evangélicos, não é? São moços direitos, leem a Bíblia, são certamente 100% confiáveis. Dá para confiar nossas filhas a eles, resta saber se dá para confiar nosso futebol também.”

Ao longo de sua brilhante trajetória, Veríssimo escreveu crônicas especiais para PLACAR. Confira algumas delas:

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