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‘O professor da equipe não viu em mim um deficiente visual, mas um atleta’

Conheça a história do Antônio Tenório, um dos maiores medalhistas paralímpicos do Brasil

Por Caroline Cabral5 min de leitura

“Não sou um cego lutando; sou um atleta competindo”

Eu já praticava judô havia uma década quando um descolamento de retina me deixou completamente cego aos 19 anos. Com um filho recém-nascido nos braços, não tive tempo de remoer a situação. Precisei me relocalizar na vida. E comecei pela minha paixão: o tatame. Mal os médicos me liberaram do repouso, retomei os treinos. Foi a coisa mais acertada que fiz, porque o professor da equipe não viu em mim um deficiente visual, mas um atleta que precisava perder 10 kg. Sua postura me trouxe confiança, me senti completamente capaz de lutar. Três meses mais tarde, ele decidiu que era hora de eu voltar a competir. Receoso, perguntei: “E aí, como vai ser?!” Resposta: “Não estou colocando um cego para lutar e sim um atleta para competir; dê o seu melhor”. É o que tenho feito nos últimos 26 anos.

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