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Os japoneses fizeram a coisa certa – mas não foi decisão fácil

O que a tragédia de um maratonista ensina sobre o orgulho de um país

Por Fábio Altman3 min de leitura
Kokichi Tsuburaya na pista do estádio olímpico, em 1964: a prata perdida na frente do público japonês
Kokichi Tsuburaya na pista do estádio olímpico, em 1964: a prata perdida na frente do público japonês

O orgulho é tijolo fundamental do edifício da cultura japonesa. Em seu desfecho mais dramático, a dor pela derrota culmina no suicídio. No Ocidente, matar-se é visto como ato de desespero, de loucura e, eventualmente, de covardia. No Oriente, não. No Japão, tirar a própria vida é decisão aceita pela sociedade e estimulada pela tradição. É preferível perder a vida do que a honra. Não é assim em todas as situações, evidentemente, e certamente não será esse o epílogo do primeiro-ministro Shinzo Abe ao anunciar o adiamento por um ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Mas a demora em jogar a toalha, ante o clamor mundial de atletas, dirigentes e torcedores, teve muito desse empenho em não aceitar a perda – havia, claro, os nós econômicos da suspensão, mas havia também a dificuldade atávica de uma país inteiro soar incapaz ao resto do mundo. No Japão, sempre que um evento…

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