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Craques na redoma

Campeões mundiais andavam de Kombi, pagavam aluguel e estavam sempre à mão para atender torcedores e repórteres. Transformados em celebridades, hoje as milionárias estrelas da bola vivem sua fama globalizada cercadas de assessores e agentes

Por Carlos Maranhão, de Fortaleza7 min de leitura
TÃO PERTO, TÃO LONGE – Nos tempos de Pelé e Garrincha — que, juntos, nunca perderam uma partida pela seleção —, os jornalistas quase jogavam com eles. No escrete de hoje, uma barreira separa os jogadores da imprensa
TÃO PERTO, TÃO LONGE – Nos tempos de Pelé e Garrincha — que, juntos, nunca perderam uma partida pela seleção —, os jornalistas quase jogavam com eles. No escrete de hoje, uma barreira separa os jogadores da imprensa

Era fácil para um repórter entrevistar Pelé quando ele reinava absoluto no futebol, consagrado com a conquista de três Copas, dois títulos de campeão mundial de clubes e já com mais de 1 200 gols no currículo. Bastava esperá-lo chegar, em torno das 4 da tarde, por uma entrada lateral do estádio da Vila Belmiro, em Santos. Ele mesmo vinha dirigindo seu Mercedes. Sozinho, sem segurança, sem ninguém para lhe abrir a porta, estacionava o carro na rua. “Tudo bem, passa depois lá no vestiário”, ele respondia ao pedido, que nem tinha sido agendado previamente. Os autógrafos para algum fã de plantão eram assinados ali mesmo, na calçada, rapidamente mas com um mínimo de atenção. Terminado o treinamento, mal saído do banho, Sua Majestade atendia o jornalista enquanto se enxugava.

Uma cena parecida com essa seria impensável no futebol de hoje, em que os jogadores se comportam, vivem e são…

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