A partida era entre Curaçao e Aruba, mas foi como o Caribe Holandês, estivessem no estádio Ergilio Hato no último fim de semana. A vibração da “Onda Azul” saiu de todas as partes das três ilhas e ganhou as arquibancadas para a despedida da seleção curaçauense do seu povo rumo à Copa do Mundo.
PLACAR esteve em Curaçao para acompanhar muito mais do que a partida em si, mas como a menor nação em território (444 km²) e em população (185.440 habitantes) entre as 48 seleções comemorou a sua inédita classificação para a Copa do Mundo.
Ver essa foto no Instagram
A capital Willestad, ligada a Otrobanda e Punda por meio de uma ponte móvel para a passagem de grandes embarcações, com as coloridas casas da colonização holandesa às margens, correu para o estádio sem dispensar um único guilder (novo florim caribenho). A entrada gratuita fez o povo chegar cedo pelas ruas de terra, muitos com um particular assento acolchoado para maior conforto e não sentar direto na estrutura de concreto.
Os números oficiais acabaram registrando 15 mil pessoas e uma goleada de 4 a 0 no placar. Brenet, Antonisse, Comenencia e Juninho Bacuna, que joga ao lado do seu irmão, Leandro Bacuna, marcaram os gols. Ao final, os jogadores das duas equipes deram o verdadeiro sentimento do Caribe Holandês na Copa e protagonizaram uma volta olímpica no estádio.
Futebol sem divisão

Jogadores de Curaçao no último jogo antes da Copa do Mundo – Divulgação
Entre fotos e autógrafos com os torcedores no alambrado, jogadores estranhavam. “Vocês são cinco vezes campeões mundiais. O que estão fazendo aqui?”, disse o camisa 11 de Aruba, Taygeorni Elvilla. “A classificação de Curaçao é também a nossa classificação. É a classificação de todo o Caribe. Isso é muito importante para todo o futebol local”, completou.
As ilhas não têm sequer uma liga profissional de futebol. Entre os convocados, somente Tahith Chong nasceu em Curaçao ainda que tenha passaporte holandês, como todo cidadão da ilha. Os demais nasceram na Holanda e voltaram para a terra de seus pais para defender a seleção local.
O otimismo do seu torcedor-símbolo não mede divisões do futebol. Brenton Balentien pintou o rosto e até a barba de azul para comandar a “Blou Wave”, a “Onda Azul” em papiamento, um idioma com origem no holandês, inglês, espanhol e até um pouquinho de português.
“A classificação é um feito muito grandioso. Que os nossos jogadores possam fazer um bom torneio e tomara que possamos passar para a segunda fase”, disse Balentien, que não teme a Alemanha logo na estreia, em 14 de junho, em Houston, nos EUA. “Não importa muito. Você conhece a história de David e Golias? No futebol, tudo é possível e temos que jogar com essa mentalidade.”
Curaçao pode surpreender?

O holandês Dick Advocaat é o técnico de Curaçao – Divulgação
O técnico Dick Advocaat, de 78 anos, o mais velho no Mundial, tratou de conter um pouco a euforia. Sempre sisudo, de cara fechada e que disse inúmeras vezes que a idade não importa nada, jogar a competição é um prazer. O holandês trabalhou com a sua seleção em 1994 e depois com a Coreia do Sul em 2006.
“Vamos fazer o nosso melhor e tentar surpreender os outros times. Isso é o que importa. Aqui é uma ilha muito pequena, não temos tantos jogadores disponíveis como vocês no Brasil. É inegável que os times estão em níveis diferentes, jogam em ligas inferiores, mas às vezes um time pior pode vencer o melhor”, resumiu Advocaat.
Para a partida de despedida, o técnico holandês poupou os seus melhores jogadores no primeiro tempo. Por estratégia ou mesmo um placar sem gols, a segunda metade teve os titulares e aí os gols surgiram com mais facilidade.
“Não sei o quanto vocês têm acompanhado de futebol nos últimos tempos. Mas recentemente o Japão venceu o Brasil, a Costa do Marfim venceu a França, o Iraque empatou com a Espanha… É futebol. Tudo pode acontecer. Não vou para a Copa do Mundo com medo de ninguém”, disse Leandro Bacuna, camisa 10 e referência técnica da equipe.
O discurso dos jogadores mostra que o resultado na Copa não importa. Um único gol já será o suficiente para a Onda Azul tomar novamente as ruas e comemorar a conquista de Curaçao de Aruba até Bonaire.
Adversários de Curaçao – Grupo E
- 14/6, 14h – Alemanha
- 20/6, 21h – Esquador
- 25/6, 17h – Costa do Marfim








