A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou e já coleciona polêmicas relacionadas à organização, especialmente nos Estados Unidos, que sediam o torneio junto com os vizinhos Canadá e México.

Com a guerra com o Irã e a política migratória do governo Trump como pano de fundo, as controvérsias vão desde problemas com vistos (que vêm dificultando a vida de todos, de torcedores a árbitros) a questões relacionadas a localização dos centros de treinamento.

Confira, abaixo, uma seleção de problemas.

“Snake Area”:

O caso mais pitoresco envolve a seleção da Suíça, que encontrou um obstáculo animal no reconhecimento de seu espaço de treinamento neste mundial. O CT da Escola Judaica de San Diego, onde o time do técnico Murat Yakin irá se preparar para a Copa, está localizado imediatamente ao lado do hábitat natural de serpentes venenosas, as cascavéis do Pacífico Sul.

Ingressos revogados

A Federação de Futebol do Irã levou a público o cancelamento massivo dos ingressos destinados à sua torcida. Os torcedores da nação persa, atualmente em guerra com os Estados Unidos, teriam ficado sem suas entradas para os jogos após estas serem revogadas abruptamente, sem maiores explicações da Fifa ou do governo local.

Bate-volta iraniano

As circunstâncias em torno da participação do Irã no Mundial de 2026 são absolutamente antiéticas e contraditórias em relação aos discursos sobre a “família Fifa”, tão apregoada pelo presidente Gianni Infantino. A delegação iraniana ficará alocado em Tijuana, famosa cidade fronteiriça do México com os Estados Unidos, e terá de fazer viagens diárias para seus jogos nos EUA. O motivo? Uma restrição imposta na concessão dos vistos dos atletas da seleção persa, esplanada pelo embaixador Abolfazl Pasandideh, que impede os jogadores de passarem a noite em território americano.

Revista rigorosa (e esquisita)

A seleção de Senegal teve uma surpresa desagradável ao desembarcar na Carolina do Norte, nesta segunda-feira, 8. Os africanos foram recebidos nos EUA não com festa dos locais (a exemplo do que vem acontecendo no México, outro país-sede do torneio), mas com uma rigorosa revista policial do serviço de alfândega, ainda na pista do Aeroporto Internacional Charlotte Douglas. Vídeos mostram os integrantes da comitiva sendo apalpados e passando por scanner, um tratamento classificado pelos jogadores como “desnecessário” e “humilhante”. Posteriormente, a seleção do Uzbequistão também passou por um tratamento similar antes do amistoso contra a Holanda, com cães farejadores e detectores de metais causando aflição nos atletas.

O juiz barrado

Eleito melhor juiz do futebol africano na temporada 2025, Omar Artan teve sua entrada nos Estados Unidos negada ao chegar no Aeroporto de Miami. O árbitro somali, que iria apitar sua primeira Copa do Mundo, foi forçado a pegar um voo para a Turquia, mesmo após a embaixada da Somália conseguir um passaporte diplomático. A Somália é um dos países integrantes da infame lista de proibição de viagens promovida por Donald Trump em 2025. A resposta da Fifa? Cancelar a participação do árbitro no Mundial.

Omar Abdulkair foi barrado nos Estados Unidos e não vai apitar na Copa – Divulgação

Interrogatório de ídolo iraquiano

Um dos principais nomes da seleção do Iraque, o atacante Aymen Hussein foi interrogado por sete horas no Aeroporto Internacional de Chicago. O jogador de 31 anos, autor do gol que classificou os leões da Mesopotâmia para a Copa do Mundo, teria sido “confundido com outra pessoa” e teve de passar por uma longa entrevista com as autoridades da imigração local. “Se os EUA são tão hostis em relação aos estrangeiros, por que estão sediando a Copa”, questionou o jogador horas depois.