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Os jovens Reis do futebol

Cristiano Ronaldo, Messi e Fabregas... A molecada conquistou os gramados e transformou craques como Kaká (25) e Gerrard (27) em veteranos

No prêmio da Fifa de melhor jogador do mundo, geralmente se destaca o grande vencedor do ano. Mas ele também serve para se fazer um retrato do futebol mundial. Cannavaro ganhou o de 2006, ano em que a defesa da Itália se sobressaiu em relação ao “futebol-magia” de Ronaldinho e sua turma de artistas. Este ano temos três moleques despontando como candidatos: Cristiano Ronaldo (23 anos), Messi (20) e Fabregas (completa 21 no começo de maio). Se um deles for eleito, teremos o vencedor mais jovem desde o Ronaldo Fenômeno em 1996.

O que na época era um fenômeno, justamente pela precocidade, hoje parece ser a regra entre quem compete. “O padrão era o jogador evoluir fisica e tecnicamente até os 27 anos. Depois disso é maturação, manutenção ou queda”, diz o preparador físico Antônio Mello, que acompanha Vanderlei Luxemburgo.

Os jogadores também viram gente grande cada vez mais novos, submetidos à pressão e à competitividade cada vez mais moleques. As próximas páginas estão recheadas com a história de garotos que atingiram o estrelato na Europa antes mesmo de sonharem em ser profissionais. Aqui mesmo no Brasil há um adolescente de 16 anos bastante conhecido na Espanha. A foto de Neymar, do Santos, constantemente estampa os principais diários de Madri, como a próxima estrela (sem exagero) que vestirá a camisa do Real.

A seguir, conheça a história dos pequenos reis do futebol em 2008. E de quem vai sucedê-los. A fila anda cada vez mais rápido...



Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro (23 anos)

Nascimento: 05/02/1985, Funchal (Ilha da Madeira), Portugal
Posição: Atacante - Manchester United (ING)

Sejamos claros, apesar de ainda nem estarmos no meio do ano: Cristiano Ronaldo será eleito o melhor jogador do mundo em 2008. A única outra possibilidade é uma atuação individual absolutamente fora dos padrões de alguém que saia campeão da Eurocopa ou da Liga dos Campeões da UEFA - porque a eleição da FIFA, feita pelos técnicos do mundo, tem se provado cada vez mais ser tanto de “melhor jogador” quanto “jogador mais vencedor”, que o diga Fabio Cannavaro.

Apesar de o prêmio ser anual, é claro que entra em cena um pouco do fator “conjunto da obra”: no ano passado, o português terminou em 3º, e até então havia apenas começado aquela que tem sido uma das melhores temporadas de um jogador no futebol europeu em todos os tempos (soa como exagero, mas basta analisar com calma para constatar que é isso mesmo).

Ponta habilidoso, capaz de causar gritos de euforia e vídeos no YouTube com seus dribles, ele já era craque há algum tempo. A cada temporada, dava a impressão de melhorar ligeiramente em algum quesito. Parece que, em meados do ano passado, Ronaldo resolveu deixar totalmente sem argumentos quem o achava fominha, firuleiro, ou que não sabia fazer gols. A única coisa que ele continua é ranheta, meio metido e, pior, ingênuo na hora de reagir às provocações que esse seu caráter - mais seu futebol e sua tendência a fingir faltas – despertam nos adversários. Amadurecimento precoce da psique ainda não conseguiram desenvolver, mas, dentro do campo, por seu jogo, já não soa absurdo dizer que Ronaldo simplesmente não tem pontos fracos. Pode atuar tanto numa ponta quanto na outra, porque o pé esquerdo é praticamente tão bom quanto o direito; resolveu também bater recordes de artilharia, fazendo gols de todo jeito, inclusive com uma impulsão e uma precisão para cabecear dignas de camisa 9 que vive de esperar cruzamento na área. Desde 2003/04, sua marca de gols na temporada foi aumentando numa quase-progressão-geométrica intrigante: 6, 9, 12, 23 e, até o fechamento desta edição (porque atualizar os número de Ronaldo tem sido um terror para todo editor), 38.



Lionel Andrés Messi (20 anos)

Nascimento: 24/06/1987, Rosário, Argentina
Posição: Atacante - Barcelona (ESP)

Em Barcelona, já é algo habitual: a torcida toda já sabe da vida do adolescente que joga na cantera do Barça, já viu fotos dele na capa dos principais jornais esportivos da cidade, já pede para que seja incluído no time principal e, no entanto, nunca sequer teve a oportunidade de ver um minuto do rapaz em campo. Foi exatamente assim por algum tempo com Leo Messi: chegou da Argentina aos 13 anos, com casa (grande), comida (boa) e roupa (chique) lavada para ele e toda a família. Pouco depois, seu nome já estava na boca do povo catalão, muito antes de sua estréia como profissional.

Em seu país, no entanto, Lionel Messi era, quando não um desconhecido completo, apenas um mito: quem acompanhava futebol de perto sabia que havia um garoto muito bom de bola treinando nas categorias de base do Barcelona e que ele era argentino e isso ninguém tascava.

Mas era só: o torcedor argentino comum não tinha nenhuma expectativa com relação a Messi. Até que veio junho de 2005, o Mundial sub-20 na Holanda. A Argentina estreou com derrota por 1 x 0 para os EUA, com Messi no banco. Há quem conte que, no dia seguinte, o presidente da AFA Julio Grondona telefonou para o técnico Francisco Ferraro com poucas e claras palavras: ou o baixinho era titular, ou Ferraro podia ir procurar emprego nos classificados do jornal. Messi entrou, foi artilheiro do torneio, eleito melhor jogador e, em menos de um mês, virou celebridade na Argentina. Em Barcelona, àquela altura, era o futuro do clube.

O planeta inteiro já enxerga Messi como um dos jogadores mais espetaculares de se ver e um dos com mais capacidade para decidir uma partida por conta própria. Resumindo: se o argentino resolver brilhar nos momentos mais decisivos da competição de clubes mais importante do planeta, é um dos únicos com potencial real para tirar de Cristiano Ronaldo o troféu de melhor do mundo em 2008.



Francesc “Cesc” Fàbregas Soler (20 anos)

Nascimento: 04/05/1987, Arenys de Mar, Espanha
Posição: Meio-campista - Arsenal (ING)

Ninguém acha nem um pouco estranho quando um menino bom de bola cruza o Oceano Atlântico no meio de sua formação para se juntar às categorias de base de um grande clube europeu. Ou quando sai da base de um time pequeno ou médio e resolve fazer parte de um gigante do futebol. O que o caso de Cesc Fábregas tem de curioso é que, apesar de jogar no juvenil de uma equipe imensa – e com tradição em utilizar jogadores formados em casa - como o Barcelona, o meia aceitou mudar de país, cultura e idioma para atuar em outro time juvenil, o do Arsenal.

Pouco mais de um mês depois de sua chegada a Londres, num empate em 1 x 1 contra o Rotherham pela 3ª rodada da Copa Liga Inglesa, o espanhol se tornou o jogador mais jovem a vestir a camisa do time principal do Arsenal, batendo o recorde que era de Jermaine Pennant (hoje no Liverpool). A saída de Vieira para a Juventus, em 2005, lhe deu definitivamente a titularidade, e a de Henry para o Barça, no meio de 2007, a condição de jogador mais importante da equipe. Com essa liberdade que ganhou, Cesc se tornou o modelo do jogador moderno: o tal do segundo volante que já tem pouco de volante, mas de armador-surpresa que aparece na intermediária do adversário com qualidade.

No começo desta temporada, o toque de bola rápido e o contra-ataque preciso, ambos fundamentados na qualidade do passe de Fàbregas, fizeram do Arsenal o queridinho de quem gosta de futebol no mundo todo. O time liderava o Campeonato Inglês, fazia grande campanha na Liga dos Campeões da UEFA e ainda fazia tudo isso jogando bonito. Aos poucos, todas essas condições – de líder na Inglaterra, de atração na Liga dos Campeões e de queridinho do público – foram migrando para o Manchester United. E é justamente aí que reside o favoritismo absoluto de Cristiano Ronaldo para a eleição de melhor do mundo.

OS OUTROS
Eles também começaram cedo, também estão em qualquer lista de melhores jogadores da temporada e também já têm status de veteranos aos 20 e poucos anos:

Emmanuel Adebayor (24 anos)
Nascimento: 26/02/1984, Lomé, Togo
Posição: Atacante - Arsenal (ING)

O centroavante
grandalhão, mas
habilidoso e goleador,
chamou a atenção do
Metz (FRA) quando tinha
15 anos. Aos 18, era o
artilheiro do time que subiu
à primeira divisão francesa.
Em 2006, aos 22, o Arsenal pagou
3 milhões de libras (cerca
de R$ 10 milhões atuais)
ao Mônaco para trazê-lo.

Andrés Iniesta (23 anos)
Nascimento: 11/05/1984, Fuentealbilla, Espanha
Posição: Meio-campista - Barcelona (ESP)

No mundo de alguns anos
atrás, Iniesta estaria
agora começando a ficar
no ponto para brigar por
lugar num meio-campo que
tem Deco, Xavi e Rafael
Márquez. Mas, o que se
pode esperar de alguém
que foi contratado aos
12 anos de idade?

Fernando Torres (24 anos)
Nascimento: 20/03/1984,
Fuenlabrada, Espanha
Posição: Atacante - Liverpool (ING)

Jogador das categorias de base
do Atlético de Madri desde seus
10 anos, custou 36 milhões de
euros ao Liverpool e foi o
jogador mais caro da temporada
2007/08 e da história do
clube inglês.

Alberto Aquilani (23 anos)
Nascimento: 07/07/1984, Roma, Itália
Posição: Meio-campista - Roma (ITA)

Em 2001, quando Aquilani tinha
16 anos, seu agente anunciou
entre clubes de fora da Itália
que, por um salário mensal de
US$ 30 mil, o garoto deixava
a Roma. Mas os romanos
acabaram dando um jeito
e hoje têm no seu meio-campo
aquele que a Itália bota fé
de que seja o novo Pirlo.

Wayne Rooney (22 anos)
Nascimento: 24/10/1985, Liverpool, Inglaterra
Posição: Atacante - Manchester United (ING)

Dias antes de completar 17 anos, Rooney
apresentou seu cartão de visitas à
Inglaterra: tornou-se o jogador
mais jovem a marcar um
gol na Premier League.
Menos de dois anos
depois, o Manchester
pagou um total de 31
milhões de libras (mais
de R$ 103 milhões
atualmente) para
contratá-lo.

A PRÓXIMA SAFRA
Por força do hábito, a tendência seria dizer que os sujeitos abaixo são “as promessas”, mas experimente perguntar aos dirigentes de seus times se o que eles esperam dessa molecada é que prometam alguma coisa. Apesar de adolescentes, eles já são peças fundamentais de grandes times europeus:

  Karim Benzema (20 anos)

  Alexandre Pato (18 anos)

  Sergio “Kun” Agüero (19 anos)

  Bojan Krkic (17 anos)

  Theo Walcott (19 anos)

  Samir Nasri (20 anos)

  Giovani dos Santos (18 anos)

  Nani (Luís Carlos Almeida da Cunha) (21 anos)

A SAFRA DEPOIS DA PRÓXIMA
Agora, é preciso ficar de olho em quem são os meninos que os grandes clubes trazem para jogar nas divisões de base

  Nikon Jevtic (14 anos)

  Mauro Icardi (15 anos)

  Daniel Oparé (17 anos)

  Georginio Wijnaldum (17 anos)